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Quinta-feira, 11 DE Março DE 2010

35 anos do 11 de Março, das nacionalizações e do controlo operário

Quinta, 11 Março 2010 17:39

Avante - Trabalhadores derrotam golpe e levam revolução à economia.

 

Assinala-se hoje o 35.º aniversário do 11 de Março de 1975, golpe militar promovido pelas forças contra-revolucionárias. A derrota do putch pelos trabalhadores e o povo aliados aos militares revolucionários do MFA consolidou a liberdade conquistada a 25 de Abril de 1974, abriu caminho à resposta que a sabotagem da burguesia impunha, afastou as classes dominantes do poder político e aboliu, no fundamental, o seu poder económico.

Desde o derrubamento do fascismo que as forças contra-revolucionárias procuravam travar o processo libertador empreendido pelos militares aliados do povo, e pelos trabalhadores e as suas organizações de classe.

A reacção começou logo em Julho de 1974 com o golpe Palma Carlos, com o qual António Spínola, então presidente da Junta de Salvação Nacional (JSN), pretendia «chamar a si “plenos poderes”»*; e continuou, meses depois, no «28 de Setembro», igualmente outro «golpe de Estado, mas culminando e tendo como elemento preparatório determinante um plano ambicioso de mobilização, concentração e manifestação gigantesca de forças reaccionárias»*.

Derrotando estas duas intentonas, prosseguindo a efectivação das aspirações e conquistas de Abril através do seu exercício prático, isto é, sem esperar pelos decretos de um poder político-militar roído por contradições de classe e tendências, e, por isso, incapaz de «tomar a iniciativa e a direcção das transformações revolucionárias»**, a luta de massas assumia-se como o motor da revolução.

O povo e os trabalhadores cumpriram, desde as primeiras horas de Abril, a liberdade de reunião e manifestação, de associação política, de acção e organização sindical e de greve, de imprensa e expressão; sanearam os fascistas das autarquias e deitaram mãos à identificação dos problemas locais e à sua resolução; avançaram para a Reforma Agrária depois da 1.ª Conferência dos Trabalhadores Agrícolas do Sul - convocada pelo PCP e realizada a 9 de Fevereiro de 1975, em Évora - alterando radicalmente as relações sociais nos campos do Alentejo e Ribatejo e respondendo, desta forma, à necessidade objectiva de proteger a revolução da violenta reacção dos latifundiários, que viam escapar-lhes o poder que haviam conservado durante a ditadura fascista.

Cumplicidades

Enfrentando um vigoroso movimento popular e da classe operária disposto a defender o processo revolucionário e as liberdades conquistadas destruindo o domínio e o poder dos monopólios e latifundiários e construindo a democracia nos planos político, económico e social, o grande capital e os agrários procuraram, mais uma vez, salvaguardar o controlo do aparelho de Estado que, durante 48 anos, laborara ao serviço da concentração e acumulação de capital.

A novidade em relação a anteriores golpes é que, com Spínola afastado das suas altas funções, as forças contra-revolucionárias passaram ao ataque «de fora do poder político e contra ele»*.

Reagrupados e organizados, passaram à contagem das espingardas. No CDS de Freitas do Amaral e no PPD de Sá Carneiro tinham sólidos apoiantes para golpes e conspirações. No PS de Mário Soares encontraram um fiel aliado.

Nos bastidores, logo depois do 28 de Setembro, «estabeleceram-se contactos regulares de responsáveis do PS (nomeadamente Manuel Alegre, Edmundo Pedro e Vítor Cunha Rego) com o próprio Spínola, no seu retiro em Massamá»*, confirma Mário Soares. Contactos que, acrescenta, tinham como objectivo «ficarem ao corrente do que se pensava e projectava no sector dos militares chamado spinolista»*.
Já depois da morte de Spínola, Alpoim Calvão contaria que «em Outubro de 1974 dois importantes elementos do PS contactaram um oficial muito próximo do general Spínola sugerindo-lhe que se organizasse uma rede de oficiais prontos a intervir». A sugestão foi aceite.
Acompanhando de perto a evolução dos acontecimentos, a CIA encara «um golpe para Portugal, do tipo chileno» a realizar antes do fim de Março [de 1975], e para o qual Spínola terá recebido «luz verde do Embaixador dos EUA, Frank Carlucci»*.

Objectivos concretos

Como primeiro patamar para o golpe, está definida a substituição de oficiais vinculados ao MFA por spinolistas no Concelho das Armas e Serviços do Exército. Tal acontece e Soares confessa, posteriormente, ter achado «esses resultados encorajadores»*.

Segue-se o segundo patamar, que incluía o assalto ao Regimento de Artilharia de Lisboa (RAL1), a tomada do Palácio de Belém aquando da chegada dos membros do Conselho dos Vinte para uma reunião com o presidente Costa Gomes, o qual seria convidado a subscrever a exoneração e prisão destes. Acto contínuo, promover-se-ia o regresso de Spínola ao poder donde «proclamaria o estado de sítio, suspenderia as liberdades democráticas, adiaria as eleições para a Assembleia Constituinte marcadas para Abril e anunciaria para Novembro eleições, nas quais simultaneamente o povo português escolheria, de uma só vez, “o presidente da República, a Constituição por que deseja reger-se, o Programa de Governo, que deseja seja executado e os deputados da Assembleia Nacional” (sic) (de um rascunho apreendido na altura do golpe e que, por esta designação de “Assembleia Nacional” e não “Assembleia Constituinte”, se vê ser engano de pessoa vinda do “antigamente»)*.

Provocações e boatos

Pelo País, corriam há meses boatos de que os comunistas queriam instaurar uma ditadura. Provocações dos fascistas, da direita e de grupos esquerdistas manipulados por estes, eram atribuídas ao PCP. O patronato sabotava e lançava uma campanha de intrigas contra os comunistas, o MFA e o III Governo Provisório, liderado por Vasco Gonçalves.

Escassos dias antes do golpe, de Madrid chegam dois oficiais spinolistas - Nuno Barbieri e Carlos Rolo - que tratam de espalhar o boato de que os comunistas preparam brigadas para matar Spínola e centenas de militares e civis incluídos numa suposta lista de contra-revolucionários. A operação chamar-se-ia «matança da Páscoa» e estaria prevista para dia 13 ou 17 de Março, sustentam.
No julgamento dos operacionais do 11 de Março, estes alegam ter recebido tal informação oralmente e no processo não consta a referida lista. «É verdadeiramente inacreditável que nem os oficiais informadores tenham dito, nem ninguém lhes tenha perguntado, quem lhes dera tal informação. Fantástico também que no processo não conste qualquer investigação da sua origem»*.
«Uma questão, que se coloca, é a quem podia aproveitar toda esta operação, toda esta especulação, toda esta pretensa justificação do golpe no dia 11.

«É fácil de concluir. Se o golpe ganhasse, Spínola assumiria plenos poderes, teria julgado e condenado o PCP acusando-o do horrendo crime, que se aprontaria para realizar. A acusação ao PCP de um tal “plano” justificaria, essa sim, uma “matança” dos comunistas para executar a qual, na preparação do golpe spinolista, aparecem referidos “especialistas” preparados e prontos para acções de retaliação e vingança. Se o golpe falhasse, poderiam os golpistas gritar (como vieram a fazer) terem caído numa “armadilha”, numa “ratoeira”, montada pelo PCP…»*.

«A “matança da Páscoa” foi mais uma das grandes e sórdidas mentiras e provocações da contra-revolução que acompanharam sistematicamente todos os seus golpes falhados: o golpe Palma Carlos, o 28 de Setembro, o 11 de Março, o 25 de Novembro.
«Ainda actualmente há quem insista em assim falsear a história. Tudo vale para passar a mentira»*.

Derrota às mãos do povo

Preparado o contexto, na noite do dia 10 de Março, Spínola e os seus oficiais aquartelam-se em Tancos donde lançam a ofensiva. «Helicópteros e aviões bombardeiam o RAL1 considerado um regimento-chave do MFA e do 25 de Abril. Na PSP o comandante participa na provocação, mas é detido pelos outros oficiais. A meio do dia, os pára-quedistas cercam o RAL1, exigem a rendição do regimento e apresentam um ultimato, que o comandante Dinis de Almeida firmemente rejeita. Enquanto os comandantes do RAL1 e dos pára-quedistas discutem, os pára-quedistas são cercados por grande concentração de trabalhadores e da população. Oradores, com relevo para António Dias Lourenço, dirigente do PCP, explicam-lhes que foram enganados. Acabam por largar as armas e abandonar o local. O golpe fora derrotado»*.

Derrotado o golpe às mãos do povo, PS e Mário Soares – que não comparecera à reunião do Conselho de Ministros realizada em São Bento na manhã do golpe, repetindo a ausência registada a 28 de Setembro - negam cumplicidades com a reacção, associam-se às comemorações populares da derrota do 11 de Março e juram a unidade com o PCP. Falam «ao gosto do momento» porque «era necessário aguentar e inserirmo-nos na corrente», confessaria, mais tarde, Soares a Maria João Avillez (MJA)*.

Nova investida

Mas a inserção na corrente logo cedeu lugar à habitual deserção revolucionária e à provocação aberta. Alcançando a maioria na Assembleia Constituinte, o PS revigorou-se e, com PPD e CDS, com grupos esquerdistas e militares de pouca palavra para com Abril, alimentou a campanha de contestação permanente aos governos provisórios seguintes, determinantes no avanço revolucionário com as nacionalizações dos sectores estratégicos da economia nacional.

Logo em Maio de 1975, no Dia do Trabalhador, entram no Estádio 1.º de Maio «de roldão, em puro confronto físico, abrindo caminho ao empurrão, ao soco e aos encontrões», confessa Soares a MJA*. Seguem-se outros episódios da «ruptura de facto» e da «declaração de guerra aberta contra o primeiro-ministro Vasco Gonçalves, contra o PCP e contra o IV Governo Provisório»*.
A 4 de Julho, apesar das advertências de Vasco Gonçalves, Soares comparece numa recepção na embaixada dos EUA em Lisboa. «Os americanos não esqueceram o meu gesto», sublinha a MJA. Dias depois, segue o PPD no abandono do Governo e lança com outros dirigentes do PS uma campanha de difamação do Partido, dos militares progressistas e revolucionários do MFA e do então criado Conselho da Revolução.

«No dia 13 [de Julho], em coordenação com o andamento das coisas e à laia de morteiros da festa, o assalto e destruição do Centro de Trabalho do PCP em Rio Maior dá início ao planeado terrorismo bombista»*. O terrorismo bombista duraria todo o chamado «Verão Quente».

No final de Julho, «forma-se um triunvirato cimeiro do MFA (Costa Gomes, Vasco Lourenço e Otelo)»*. A 8 de Agosto toma posse o V Governo Provisório, mas logo a 27 desse mês o responsável do Comando Operacional do Continente (COPCON), Otelo, retira o apoio a Vasco Gonçalves. Copcon, Grupo dos Nove - cujo manifesto foi difundido na véspera da instalação do V Governo Provisório -, e esquerdistas pseudo-revolucionários partilham louros na liquidação do MFA. Nas ruas, em grandes acções de massas, os trabalhadores e o povo demonstram estar com os avanços revolucionários.

«Com o pronunciamento de Tancos a 2 de Setembro, conseguem finalmente consumar o resultado: Vasco Gonçalves exonerado de primeiro-ministro e de efectivas responsabilidades militares.

«Conseguiram arredar do poder aquele contra o qual, utilizando os mais indignos meios e campanhas, tinham movido uma guerra sem quartel. Sem quartel, porque, firme e corajoso, durante mais de um ano primeiro-ministro nos tempos cruciais da revolução, deu tudo de si próprio para que em Portugal fosse criada uma sociedade mais justa e melhor. Sempre com o povo, que o aclamava “força, força, companheiro Vasco/nós seremos a muralha de aço”.

«Afastaram o general, afastaram o primeiro-ministro. Não afastaram o “companheiro Vasco” do coração de muitas e muitas centenas de milhares de portugueses e portuguesas para quem a gratidão não é uma palavra vã»*.

Resposta necessária

Na batalha ideológica que constitui a avaliação dos factos e o esclarecimento sobre o curso do processo revolucionário, a burguesia destila ódio de classe sobre o controlo operário e as nacionalizações, ocultando que estes se impuseram como a resposta necessária à defesa da democracia, da economia e das liberdades alcançadas, e corresponderam às aspirações populares de criação de um novo modelo de desenvolvimento. Depois de retirado o poder político à contra-revolução, era necessário enfrentar igualmente o poder económico de um punhado de grupos monopolistas associados ao capital estrangeiro, os quais constituíam sólida base de apoio aos partidários do retrocesso.

O controlo operário, apesar de exercido desde os primeiros tempos após o 25 de Abril, manifesta-se inicialmente «pelo saneamento do grande patronato fascista e dos seus agentes directos»**.

«A intervenção dos trabalhadores não pôde porém limitar-se aos saneamentos. Logo teve de alargar o seu âmbito para responder à sabotagem económica e às ofensivas do patronato reaccionário contra os direitos dos trabalhadores»**, estabelecendo-se, «pouco a pouco, em virtude do abandono de empresas pelos patrões, da fuga destes para o estrangeiro, de situações de insolvência ou evidente falência técnica, de desvios e transferências de fundos, de fraudes contabilísticas, da retirada de máquinas e equipamentos, do não aproveitamento de matérias-primas, do esgotamento de stocks, da não aceitação ou do cancelamento de encomendas, do desinteresse na busca de mercados, da degradação económica e financeira e do risco próximo do encerramento das empresas»**.

Foi, na verdade, «uma luta corajosa, tenaz, por vezes heróica»**, de «alto e positivo significado político, social, económico e moral» sem a qual «a democracia portuguesa não teria tido vida longa»**, quer tenha sido exercida em colaboração com as administrações privadas ou nomeadas pelo Estado, quer tenha obrigado à constituição de cooperativas e, portanto, à passagem à autogestão, quer tenha ainda motivado a assunção de funções de gestão fruto da realidade imposta.

Em todo o percurso e nas mais variadas experiências concretas, revelou-se «a par do espírito de organização, da coragem e combatividade, o poderoso espírito criador da classe operária e das massas trabalhadoras»**.

A revolução chega à economia

No mesmo contexto, «as nacionalizações aparecem como resultado do processo revolucionário, como consequência lógica da agudização da luta de classes, que opunha à Revolução portuguesa os grupos monopolistas, o grande capital»**.
Antes do 11 de Março, já se haviam nacionalizado as três entidades emissoras de moeda, mas foi «a derrota da reacção no 11 de Março, o comprometimento do grande capital na conspiração, o súbito avanço das forças revolucionárias, a luta enérgica dos trabalhadores, a acção dos militares do MFA, a aliança Povo-MFA, que permitiram dar início às nacionalizações que, num curto espaço de tempo, abrangeram os sectores básicos da economia nacional»**.

Após a decisão do Conselho da Revolução de nacionalizar os bancos e as companhias de seguros, tomada a 14 e 15 de Março, inicia-se um processo que, com a acção dos trabalhadores e da classe operária aliada à firmeza dos IV e V governos provisórios, colocou ao serviço do povo e do desenvolvimento do País «245 empresas: 24 bancos e outras instituições de crédito, 36 companhias de seguros, 16 de electricidade, 5 de petróleos, 8 de fabricação de produtos minerais não metálicos, 1 de fabricação de vidro, 1 na indústria do ferro e aço, 2 de construção de material de transportes, 2 mineiras, 4 de produtos químicos, 6 de celulose e papel, 5 de tabaco, 7 de bebidas, 8 de pesca, 1 da agricultura, 96 de transportes terrestres, 8 de transportes marítimos, 1 de transportes aéreos, 10 de cinema e televisão, 4 editoras e tipografias»**.

Este forte Sector Empresarial do Estado (SEE), a par das centenas de empresas intervencionadas, de capitais públicos ou participadas, gerou potencialidades para atacar grandes carências, criou milhares de postos de trabalho e, mesmo atacado visando a sua liquidação, permitiu a racionalização dos recursos existentes no interesse do progresso e da melhoria das condições de vida, não apenas dos trabalhadores dessas empresas, mas da maioria da população.

As consequências da política de direita que nos últimos 34 anos serviu a restauração capitalista estão a mostrar que, no actual contexto de crise, a existência de um sector público forte e capaz de retirar o País do declínio, dos défices estruturais e da dependência estrangeira, mantém-se com aguda actualidade.

(*) Álvaro Cunhal, «A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril (A contra-revolução confessa-se)», Edições Avante!, Lisboa, 1999
(**) Álvaro Cunhal, «A Revolução Portuguesa – O Passado e o Futuro», Edições Avante!, Lisboa, 1994

Quinta-feira, 26 DE Março DE 2009

O maoísmo na Venezuela Bolivariana

Liga Socialista

 

Um dos mais antigos partidos maoístas venezuelanos chama-se Liga Socialista e começou por ser um braço político da guerrilha "Organização de Revolucionários" (OR) cuja formação se remonta a 1969, segundo a wikipédia. A sua origem deu-se a partir da fragmentação da guerrilha rural do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR, em sigla espanhola) em 1968, cuja direcção em maioria desiste da luta armada. Inicialmente era constituida pela guerrilha OR, a partir de 1969, mas seguindo uma estratégia de combinar uma guerrilha urbana (os OR) com um trabalho político legal, funda-se a Liga Socialista em 1973 (fonte: basirruque, jornal da LS).

 

Com este trabalho político legal a Liga Socialista participa em várias eleições em coligações de esquerda (apoiando José Vicente Rangel em 1983 e Chávez a partir de 1998) tendo obtido como máximo de votos cerca de 58 mil a nível nacional em 2006. A Liga Socialista (LS), tal como o MIR e a OR que a originaram, teve sempre como base social os estudantes universitários. Hoje a LS é uma corrente interna (chamada "socialistas")  do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o principal partido da revolução venezuelana. O seu líder histórico era Jorge Rodriguez Gomez (brutalmente assassinado pelo Estado burguês) pai do actual presidente da câmara municipal de Libertador (Caracas) pelo PSUV.

 

Bandera Roja

 

Um outro partido maoísta formado quase ao mesmo tempo que a Liga Socialista, foi o "Bandera Roja", em outra dissidência do MIR. Formou-se em 20 de de Janeiro de 1970 (fonte: Wikipédia). Este grupo enveredou pela linha maoísta mais radical e ultra-esquerdista, seguindo o maoísmo albanês de Enver Hoxha. A sua base social foram sempre os estudantes universitários do mesmo modo que a Liga Socialista, mas chegou a ter uma implantação rural considerável. Desde a sua fundação até meados dos anos 80 obteve várias vitórias militares como guerrilha rural enfrentando o exército venezuelano e foi crescendo. Mas em 1982 sofreu uma pesada derrota com um enfrentamento com o exército que praticamente a dizimou. A partir daí passou a focar mais no seu trabalho político nas cidades (com pequenas acções de guerrilha urbana e luta de massas), concretamente nas universidades, embora a guerrilha rural só fosse oficialmente dissolvida em 1994. Em 1992 o partido BR apoiou a insurreição popular-militar, de partidos de esquerda e de militares leais a Hugo Chávez

 

Com a eleição de Chávez em 1998, este partido inicia uma deriva de direita, colocando-se em oposição a Chávez dentro da aliança da direita venezuelana, inicialmente chamada de "Coordenadora Democrática". O seu líder histórico é Gabriel Puerta Aponte. Alguns dos seus antigos quadros passaram para o lado chavista (sendo mais consequentes com os seus ideais), como é o caso do ministro da Agricultura, Elías Jaua, e da dirigente do PSUV, Vanessa Davies, ambos tinham sido recrutados pela BR em universidades. Outros passaram para os partidos de direita, sofrendo com isso o Bandera Roja um esvaziamento.

 

Movimento Revolucionário Tupamaro

 

O Movimento Revolucionário Tupamaro (MRT) é um movimento maoísta muito sui generis, pela forma como nasceu e pelas características da sua acção. Nasce em 1992 como consequência da revolta popular do "Caracazo" (em 1989), tendo origem no "complexo de favelas" 23 de Janeiro. Portanto desafia a lógica do maoísmo tradicional oriental baseado nos camponeses das zonas rurais e também desafia a lógica do maoísmo ocidental baseado tipicamente em estudantes de classe média (ou camadas pequeno-burguesas como se diz na gíria marxista). A sua acção foi sempre caracterizada por defender as "favelas" ou bairros populares (sendo os seus bastiões em Caracas) da acção repressiva da polícia e da influência nefasta dos traficantes de droga (ambos considerados pelo MRT como agentes do capitalismo), enquanto apoiam formas de participação popular ou auto-organização (exemplo: rádios e televisões comunitárias, conselhos comunais e "missões"). Pelo lado negativo há que referir que este grupo mantém alguns confrontos com outros grupos chavistas baseados nos bairros, por exemplo com a Unidade Popular Venezuelana (UPV).

 

Com a chegada ao poder de Chávez, o MRT começa a participar em eleições, deixando a clandestinidade (chegando a obter 67 mil votos a nível nacional). Não se fundiu no PSUV como outros grupos chavistas (essa questão foi postergada). O seu líder é José Tomas Pinto Marrero.

publicado por Rojo às 17:33
Sexta-feira, 27 DE Fevereiro DE 2009

27 de Febrero: El día que el pueblo dijo ¡Ya Basta!

El 27 de febrero de 1989, apenas a 25 días de haber asumido su segunda presidencia Carlos Andrés Pérez, se produce una explosión social en Venezuela como consecuencia de las medidas que venía tomando el nuevo gobierno, como la entrada en vigencia, el día anterior, de los nuevos precios de la gasolina, que incidió de inmediato en el aumento de las tarifas del transporte colectivo.

 

TeleSUR 27/02/2009

 

Corría el año de 1989, el lunes 27 febrero desde muy temprano, alrededor de las 4 am, los habitantes de Guarenas, población ubicada pocos kilómetros al este de la capital venezolana, se preparaba para su habitual viaje hacia sus puestos de trabajo en Caracas. Pero ese día en particular, lo habitual se convirtió en abuso. Los trabajadores se consiguieron con un aumento indiscriminado del pasaje, los transportistas de las dos únicas líneas que cubrían el servicio, estaban cobrando un aumento que iba desde el 100 hasta el 50 por ciento. Esa fue la chispa que prendió la vorágine de acontecimientos que nadie previó.

 

Al poco tiempo de iniciar Carlos Andrés Pérez su segundo período presidencial, el 16 de febrero de 1989  para ser exactos, el recién posesionado presidente presentó ante el país un programa de ajustes macroeconómicos, concebido para generar cambios sustanciales en la economía nacional.

 

En términos generales, el paquete económico comprendía decisiones sobre política cambiaria, deuda externa, comercio exterior, sistema financiero, política fiscal, servicios públicos y política social. Entre las principales medidas anunciadas figuraban la decisión de acudir al Fondo Monetario Internacional y someterse a un programa bajo supervisión de ese organismo con el fin de obtener aproximadamente 4,5 billones de dólares en los tres años siguientes.

 

 

El tan promocionado paquete incluía medidas que afectaban directamente la ya maltratada economía del pueblo venezolano, puesto que implicaba una liberación de los precios de todos los productos a excepción de 18 reglones de la cesta básica; incremento gradual de las tarifas de servicios públicos como teléfono, agua, electricidad y gas doméstico y "sinceración general de precios de las empresas públicas"; aumento anual en el mercado nacional durante 3 años de los precios de productos derivados del petróleo, con un primer aumento promedio del 100 por ciento en el precio de la gasolina; aumento inicial de las tarifas del transporte público en un 30 por ciento.

 

El impacto de estos ajustes económicos "recomendados" por el Fondo Monetario Internacional (FMI), no se hizo esperar, destacándose el alza desmesurada en los precios de la gasolina, lo que obviamente determinó el súbito encarecimiento del transporte de mercancías y alimentos. La ejecución de tales medidas fue la gota que derramó el vaso, de un país con un elevado número de pobres, que habían soportado durante mucho tiempo las consecuencias de políticas desfavorables a su oportunidad de abandonar la miseria: la persistencia de salarios insuficientes, las notables dificultades de acceso a servicios sanitarios y educativos de buena calidad, el alto costo de la cesta alimentaria, la progresiva pérdida de atención gubernamental, entre otras.  

 

 

Como lo indicó en entrevista exclusiva para la página web de teleSUR, el cronista de Guarenas Elio Bolívar "los que votaron por CAP, que era la mayoría en ese momento, se consiguen, después de haber hecho una toma de posesión donde hubo un derroche inmenso de recursos económicos, digna de un jeque árabe, con que el hombre quiere apretarle lo que llama uno, el cinturón, pero el cinturón a la gente humilde, porque en ningún momento se planteaban ni siquiera una reducción de gastos del ejecutivo".

 

El ministerio de Energía y Minas había anunciado un alza en los precios de la gasolina para el domingo 26 de febrero (Bs. 2,75 la alta y a Bs. 2,55 la baja) y autoriza un incremento del 30 por ciento en el pasaje del transporte público válido para los 3 meses siguientes, después de los cuales podrían aumentarse hasta el 100 por ciento.

 

No obstante, los transportistas no estuvieron de acuerdo con el aumento inicial, al considerar que el mismo debía ser de al menos un 70 por ciento. Ese día los choferes de las rutas interurbanas iniciaron sus recorridos habituales tratando de imponer sus tarifas y desconociendo el pasaje estudiantil.

 

 

Alejandro Patines, un venezolano que vivió  ese 27 de febrero con mucha intensidad y que sufrió en carne propia la brutal represión que, ordenada desde la presidencia, pretendió acallar al pueblo, nos contó en entrevista exclusiva para el sitio web de teleSUR, cómo se inició el día en que el pueblo dijo ¡ya basta!.

 

"El día lunes a eso de las 4 y 5 de la mañana en el terminal de Guarenas que está en Trapichito, se arma un lío porque los choferes querían cobrar un exceso en el pasaje, querían cobrar un pasaje que no correspondía, un aumento que no estaba permisado", relata.

 

"A eso de las 6 de la mañana ya la revuelta había tomado un carácter importante, había una aglomeración de personas puesto que no pudieron dirigirse hacia Caracas y estaba la molestia generalizada en las calles", agrega Patines.

 

 

"Guarenas para ese momento era una ciudad dormitorio con un porcentaje del 70 por ciento, es decir el 70 por ciento de las personas que tenían que trabajar lo hacían en Caracas. Entonces estas personas se consiguen con que los transportistas no estaban pidiendo el aumento del 30 por ciento que había dado el Gobierno sino de hasta el 100 por ciento, y en último caso aceptaban un 50, pero la prensa la radio, la televisión habían dicho que era un 30 por ciento pero la gente de las líneas confiaban que el pueblo iba a aceptar esa situación.", nos explica Elio Bolívar

 

"La gente se metía dentro de los autobuses, el chofer se bajaba del carro y decía que si no me pagan lo que yo estoy pidiendo no me muevo, imagínese una gente que está desde las 4 de la mañana, eran las 5 las 6 las 7 y la gente sin poder salir de allí, los ánimos se fueron exasperando".

 

Algunos de los representantes de las fuerzas policiales dijeron en aquél entonces que el estallido no tuvo un carácter espontáneo y que fueron orquestados desde la Federación de Centros de Estudiantes de la Universidad Central de Venezuela, quienes desde hacía días estaban llevando a cabo protestas en las cercanías del recinto universitario por el pasaje estudiantil.

 

 

Por otro lado, representantes del partido de gobierno para aquél entonces, Acción Democrática, (AD) declararon que los medios de comunicación incitaron la revuelta al transmitir imágenes de los acontecimientos que provocaron la movilización una mayor cantidad de población agravando así los acontecimientos.

 

El mismo Carlos Andrés Pérez, en un texto publicado en El Nacional, domingo 28 de febrero de 1999, apuntó "esas horas terribles que vivió entonces Caracas, fueron estimuladas, también, involuntariamente, por las cámaras de televisión".

 

Estas tesis han sido desmentidas en múltiples ocasiones, una de ellas por Roberto Hernández Montoya, en un artículo publicado en diario El Nacional, el domingo 8 de noviembre de 1992, en el que asegura "que el 27 de Febrero, ocurrió sin convocatoria, sin medios de comunicación y sin organización institucional. La radio y la televisión apenas informaron del asunto brevemente el mediodía del 27. Solo el Canal 8, del Estado, informó de los sucesos a las 8 de la noche y los demás canales después de las 10. De modo que no fue el "efecto de demostración de la televisión", pues en primer lugar, antes de que la televisión informara, ya había saqueos, en segundo lugar porque eso haría suponer que toda la gente que saqueó vio la televisión. En tercer lugar, hubo saqueos en pueblos en donde no hay electricidad, y, por tanto, no hay televisión".

 

 

Por otro lado, el cronista de Guarenas, lugar donde se iniciaron los acontecimientos, nos relata que "un bloque vecinal de la gente de los barrios de Guarenas que se llamaba para aquella época Menca de Leoni (hoy 27 de febrero) repartían unos volantes que decían que basados en el decreto no debían pagar un aumento superior al 30 por ciento y además decía que los pasajes estudiantiles estaban congelados y que esa tarde, a las 5 pm, iba a haber una reunión en el Consejo Municipal, e invitaban a los de las líneas para conversar acerca de eso. Ese es el único volante que se podía considerar de incitación y lo único que decía era NO DEBEMOS PAGAR MÁS DEL 30 POR CIENTO, ese es el único documento que podría tenerse como prueba de cierta orientación, pero en realidad no lo es.

 

No hubo dirección política, sino que la gente que tiene que pararse todos los días para ganarse su sustento, se consigue con esa situación que le va a bajar su ingreso en una  forma tan determinante. Ya la gente venía pagando sobre precio en la leche, en el azúcar, y entonces la gente llega un momento que dice que si me están matando de hambre y matándome de angustia entonces yo me voy a arriesgar".

 

Por su parte, Alejandro Patines, que vivió en primera persona los hechos, no indicó que por lo menos a nivel de Guarenas "yo estoy absolutamente convencido que la mayor incidencia que esto fue un evento que no fue planificado, fue el colmo, la gente se colmó, la gente se cansó, la gente se obstinó y hubo un ¡basta, un ya basta, ya esta bueno de tanto abuso!

 

 

Es en Guarenas donde prende la chispa  por los abusos de los transportistas para el traslado de la gente hacia Caracas. La mayoría de las personas trabajaban en caracas y basado en eso el bloque de transportistas, en ese caso habían dos cooperativas fundamentales, la Menca de Leoní y Conductores Unidos en complicidad con el Consejo Municipal, porque habían concejales que tenían unidades de transporte colectivo, quisieron abusar de la gente y cobrar un precio exagerado y demasiado alto.

 

No fue la obra y el producto de algo orquestado y planificado si bien pudo haber habido alguna incidencia de algunos movimientos sociales, para mi fue fundamentalmente el cansancio de la gente que dijo ¡ya esta bueno, hay que ponerle un freno a esto, hasta aquí aguantamos!".

 

Pero ¿Cómo una protesta de pasajeros en un terminal puede llegar a convertirse en una vorágine?. Alrededor de las 7 am, de ese 27 de febrero, nos cuenta Alejandro XXX,  en un sector que se llama Valle Verde, a la altura de la autopista que conecta Guarenas con Caracas, "me acuerdo perfectamente que estabamos un grupo de personas allí y se agarra un camión de la Polar que venía repleto de botellas vacías y con eso se comienza a tirar botellas en la calle para trancar el tráfico en protesta por el aumento del pasaje".

 

 

Como a eso de las 8:30 am llegó el presidente del consejo municipal para aquél entonces, que se llama si mal no recuerdo Manuel Monje, el se murió, no había alcalde en ese momento sino que la autoridad era el presidente de la junta municipal. El llega supuestamente para establecer un diálogo y para mediar para que la gente deponga la actitud pero nosotros estabamos detrás de él y  escuchamos clarito cuando él, antes de retirarse, le dice a la policía "échele plomo a esa gente", es en ese momento cuando como por arte de magia sale una botella y es cuando esos policías comienzan a disparar como locos.

 

Uno de los primeros heridos de los tenga constancia en ese momento fue un muchachito como de primer año (Séptimo grado, alrededor de 12 años) que le dan un tiro con un perdigonazo que se llama "envenao", es decir, con un metra, en el brazo izquierdo, y fue  entonces que un grupo de personas nos dirigimos hacia el Consejo Municipal.

 

En el Consejo se secuestra a todos los concejales o a parte de los concejales y al presidente del Consejo que estaba allá reunido con algunos transportistas y le exigimos pues por su actitud irresponsable lo responsabilizamos de los hechos que estaban acaeciendo en ese momento en Guarenas producto por supuesto de la acción que él tomó como autoridad.

 

 

Estábamos allí varias personas y  recibimos la información que estaban saqueando en Guarenas, hasta los momentos nadie tenía conocimiento de lo que era un saqueo, uno pensaba que era una revuelta más que se había recrudecido que se estaban lanzando botellas.

 

Decidimos sacar a esa gente de allí, nos vinimos entonces con los concejales y con el presidente del Consejo que yo lo llevaba agarrado para que vieran que producto de su irresponsabilidad lo que había pasado pues él mando a disparar indiscriminadamente a todo el mundo, eso fue aproximadamente a las 11 de la mañana".

 

Cuando bajamos la pendiente y llegamos al pueblo como tal de Guarenas es cuando vemos que la gente estaba saqueando las tiendas y agarrando electrodomésticos.

Allí comienza  un enfrentamiento con la policía, se me suelta el presidente del consejo municipal y comienza la policia a reprimir fuerte, a darle duro...y nosotros empezamos a enfrentar a la policía" nos narra Patines.

 

En este punto, muchos de los personeros del Gobierno se apoyaron en los saqueos de tiendas de electrodomésticos para tergiversar y desvirtuar la protesta del pueblo venezolano. Efectivamente hubo saqueos de electrodomésticos pero en ese momento existían un acaparamiento por parte de los comerciantes, no sólo de alimentos básicos, sino también de línea blanca, puesto que, como nos explica Elio Bolívar "los comerciantes a través de sus contactos políticos, ya estaban informados de que venía una liberación de precios y un ajuste en los precios regulados, ¿Que hicieron ellos? Bueno, empezaron a acaparar.  La línea blanca que se vendía en ese momento, venía ya con un precio regulado de las ensamblandoras todo, neveras, cocinas, lavadoras, todo venía con precio regulado. ¿Qué hicieron ellos?, Escondieron la linea blanca e igualmente hicieron con los productos básicos".

 

Actuación de la policía y la Guardia Nacional como fuerza de represión

 

En virtud del desbordamiento de la situación, hacia el mediodía del día 28 el presidente Carlos Andrés Pérez, reunido con el Consejo de Ministros, ordenó a la Guardia Nacional y al Ejército reprimir los disturbios. Igualmente decretó el estado de emergencia, previsto en el artículo 240 de la Constitución de 1961, con lo que quedaron suspendidas un grupo de garantías constitucionales durante los 10 días siguientes. Las Fuerzas Armadas asumieron el control del orden público y se estableció un toque de queda a lo largo del territorio nacional.

 

 

"También recuerdo que ese día (continúa Alejandro Patines con su relato) antes de bajar yo le dije al presidente del consejo, "mire yo a usted lo responsabilizo si a mi mañana me dan un tiro, si a mi me matan el culpable va a ser usted, porque usted nos tiene a nosotros más que fichados y a lo mejor usted es capaz de mandarnos a echar plomo o que nos mande como allá abajo a que nos maten a cada uno de nosotros por allí".

 

El día transcurrió con los enfrentamientos, la gente en la calle la gente volcada, los saqueos viene  la Guardia Nacional, logran despejar a la altura de la autopista que comunica a Guarenas con Caracas. Comienza la Guardia Nacional junto con la Policía Metropolitana (PM) a reprimir fuertemente y a disparar a diestra y siniestra contra todo lo que se moviera.

 

Yo vi algunas personas fallecidas algunas mujeres que le dieron tiros de FAL, aquí cerca de donde yo vivo, actualmente 27 febrero antiguamente Menca de Leoni, vi algunas personas muertas.

 

El martes 28 sigue la revuelta, sigue el pueblo en la calle, continúan los saqueos y la represión se recrudece mucho más, ya la cuestión pasa a otros niveles, incluso en la madrugada hubo muchos enfrentamientos, bastante importantes aquí la gente del 27 de

 

Febrero levantó las alcantarillas como una manera de prevenir que la Guardia Nacional se metiera con las tanquetas y efectivamente se logró más o menos parar la cuestión, pero los tipos se vienen a pie, volcados disparando a diestra y siniestra contra todo aquél que se les atravesara en el medio.

 

Nosotros estábamos a la altura del bloque 60, y enfrentamos a la PM, fuerte y decididamente para tratar de minimizar el impacto de la agresión hacia la población civil en este caso concreto, tienes que tomar en cuenta que tampoco disponíamos de grandes recursos para enfrentar a la policía, pero así incluso lo hicimos.

 

A eso del medio día del 28, en el bloque 49 logran instalar un ametralladora con un trípode y comienzan a disparar a diestra y siniestra, allí caigo herido yo, me dan un tiro en la clavícula derecha se me aloja en el omóplato la bala y bueno logro salirme del sitio, me voy donde una tía mía que vive en el bloque 62 allí estoy hasta que logro llegar al seguro en horas de la tarde.

 

"Cuando llego al seguro (hospital público, de la Seguridad Social) ¡eso es espantoso!, lo que yo vi en el seguro eso era ¡horroroso!, allí la gente que traían con tiros...yo tuve suerte que a mí la doctora me atendió...pero gente que traían con tiros parecidos a los míos los dejaban allí que se murieran porque supuestamente no podían hacer nada...nooo ese está muy grave...déjalo ahí, déjalo ahí... me canse de ver casos así ahí en el seguro".

 

Por obra y gracia de la censura no salió los muertos que hubo aquí en Guarenas, no se cuantificó pues, la cantidad de personas fallecidas y por supuesto los heridos, los heridos graves, yo por ejemplo fui herido de gravedad, yo casi que pierdo la vida.

 

 

Ese día el día 28 aún continuaba la represión fuerte, incluso por los lados del Seguro Social a algunas personas que venían saliendo la misma Guardia Nacional se los llevaban detenidos y con todo y eso siguió el enfrentamiento en las calles después me cuentan los compañeros que efectivamente la gente seguía desplegada y siguía la acción represiva de la Guardia y después comienza la toma de edificios.

 

Ellos (la guardia) tomaban los edificios, y te requisaban el apartamento y libre Dios si conseguían algún electrodoméstico del que tu no tuvieras factura porque te lo quitaban y  eso me consta porque aquí mismo en el edificio donde yo vivo lo hicieron, en el edificio de enfrente y así sucesivamente. No fue algo inocente, no entraban así como "no tienes facturas entonces dame que me lo llevo", hubo mucha represión.

 

Pero aquí no actúo el Ejército, aquí actúo fue la Guardia Nacional, al parecer eran Guardias de frontera, y la policía. Los causantes, los responsables de la mayoría de los asesinatos que se cometieron acá fue la Guardia Nacional porque la Policía Metropolitana, aún y con toda su represión estaban era volcados a saquear, la policía estaba era saqueando como locos.

 

Hay un centro comercial, llamado Miranda, los locales que están de frente a la avenida, efectivamente fueron saqueados por la población, pero las tiendas internas fueron saqueadas por la Policía Metropolitana y la Guardia Nacional, ellos se encargaron de saquear esos negocios adentro, y por supuesto incurrieron en actos de represión, pero quien realmente vino para acá como a poner "orden en la casa" de una manera bastante fuerte, por decirlo de algún modo fue la Guardia Nacional.

 

Esos días la represión, no fue una represión selectiva pues, la cuestión es que era contra todo el mundo, contra señoras contra niños contra niñas. Incluso me acuerdo que en el automercado CADA (una conocida red se supermercados a nivel nacional), corrieron la voz ese mismo día 28 que iban a abrir el CADA, pero que tenían que ir nada más las mujeres y haciendo una fila ellos iban a abrir para que las mujeres saquearan el CADA y mi tía cayó en esa trampa, mi tía fue y se puso en cola, había una cola muy larga de puras mujeres con sus bolsas para buscar productos porque los policías iban a abrir el CADA, pues ellos le echaron plomo a todo el mundo, eso era plomo a todo ese poco de mujeres ahí mismo en el CADA, eso fue una de las vivencias que tuvimos acá.

 

Constatamos lo que es un Estado volcado a reprimir a una población que lo único que estaba exigiendo por lo menos aquí en el caso donde comenzó el saperoco, en Guarenas, era que respetaran, que respetaran los acuerdos establecidos en este caso de transporte que existían, eso era todo lo que se les pedía al bloque de transportistas.

Y eso degeneró en una mortandad increíble que se expandió por toda Venezuela, que después se conoció como el Caracazo, pero eso comenzó acá en Guarenas".

 

Para el historiador Rubén A. Hernández, el  "Caracazo" representó el punto de quiebre en la capacidad de aguante de las masas ante la explotación y la burla de los intereses capitalistas internacionales y sus aliados venezolanos. Los días 27 y 28 de febrero de 1989 los pobres de Venezuela no soportaron más, y lanzándose a las calles de todo el país protestaron enérgicamente contra un Gobierno.

 

 

Balance

 

El balance de pérdidas humanas dejado por los hechos del 27 de febrero de 1989 fue, según cifras oficiales, de 300 muertos y más de un millar de heridos. Sin embargo, de acuerdo con algunos reportes extraoficiales Se habla de 3500 muertos, según afirma Elio Bolívar.

 

"Millares que desaparecieron y más nunca se supo de ellos, los medios lo silenciaron" afirma el cronista de la ciudad de Guarenas.

 

Según denuncian familiares de las víctimas y desaparecidos, miles de cadáveres se acumularon en los barrios, que luego eran recogidos por los militares y enterrado en fosas comunes. Miles de desaparecidos, cuyos familiares aún hoy están reclamando justicia. Puesto que no existen detenidos, ni acusados. Ni el entonces presidente, Carlos Andrés Pérez, ni su ministro de defensa Italo del Valle Alliegro, quien ejecutó la orden de reprimir al pueblo a como diera lugar, ni ningún miembro de las fuerzas de orden público ha sido llevado ante la justicia por su responsabilidad en los acontecimientos.

 

"No conozco el primer Guardia Nacional o policía que haya sido detenido por su acción porque nosotros vimos como disparaban y no eran precisamente ni balas de salva, ni perdigones, ni nada de eso, como disparaban plomo del grueso, armas largas, como disparaban las ametralladoras" expresa con indignación Alejandro Patines.

"Aquí hay personas que quedaron inválidas, con disparos en la columna, en la clavícula personas que quedaron ciegos y nadie respondió" Afirma Elio Bolívar.

 

El antes y el después del 27 F

 

El 27 de febrero es una fecha que bifurca lo que venía siendo la historia contemporánea de Venezuela hasta ese momento. Se puede establecer un antes y un después, según Alejandro Patines antes del 27 de F los que dirigían al país en aquél entonces creían que tenían todo a su favor, ellos creían que tenían el control de la soberanía"

 

El cronista de Guarenas explicó a teleSUR que los acontecimientos del 27 F fueron completamente inesperado para el Gobierno, por dos razones: la primera, coincide con la opinión de Bolívar, es que Carlos Andrés, "estaba obnubilado con el poder, estaba engreído, se sentía consentido, porque AD dominaba todo, el Congreso, Gobernaciones, Consejos Municipales y estaba confiado que lo que él dijera se lo iban a aceptar."

 

Y la segunda razón es que "históricamente en Venezuela la policía reprimía de manera violenta cualquier manifestación, desde la época de Betancourt la represión era algo que se mantenía constante y la desaparición de dirigentes políticos y estudiantiles, los asesinatos. La gente había cogido bastante miedo, pero luego del 27 la gente volvió a sentir de que sí tenía poder,  y el miedo por la represión que se le había inculcado lo pusieron a un lado".

 

 

Para Alejandro Patines el pueblo oprimido por la gravísima situación económica y social que estaba padeciendo, al no verse representado tanto "a nivel de Gobierno y Estado, pero tampoco a nivel de partido, de esos partidos de derecha que estaban en el poder, puesto que nunca hubo una mayor reacción, fundamentalmente los partidos aceptaron y eran cómplices del mismo Estado y Gobierno, reaccionó y hubo un despertar, un ¿Hasta dónde vamos a llegar con esto, un hacia donde vamos a parar si esto sigue así? Fue un despertar  del pueblo, de la sociedad e incluso de la sociedad que no militaba en ningún tipo de organización,  que se paró firme y de alguna manera eso marca o indica un despertar de la sociedad venezolana y de sus intereses.

 

Por primera vez nosotros dijimos, cónchale nosotros tenemos unos intereses que nadie nos lo está defendiendo y entonces ¿Que hacemos, seguimos confiando en un Estado y en unos Gobiernos, en unos partidos y en una clase política que esta de espaldas al pueblo o nosotros agarramos y le ponemos un freno a esto?".

 

En términos generales, las condiciones socioeconómicas que se generaron en Venezuela a partir de la fuerte devaluación de la moneda conocida, como el viernes negreo, y las medidas económicas, de corte neoliberal, aplicadas como exigencia del Fondo Monetario Internacional,  crearon en la población fuertes sentimientos de frustración y falta de credibilidad en la capacidad y voluntad de las autoridades públicas y de los agentes económicos para actuar con seguridad y equidad.

 

Por otro lado, el proceso electoral de 1988 había generado ciertas expectativas de superación socioeconómica y política en la sociedad venezolana, sobretodo alrededor de la figura de Carlos Andrés Péres, puesto que de alguna u otra manera éste prometió, durante todos los meses de campaña, que la época de bonanza económica experimentada durante su primer período presidencial (1974- 1979) volvería a experimentarse.

 

Sin embargo, tras el anuncio del programa económico bajo receta del FMI las ilusiones de la población se vieron arrasadas por las medidas adoptadas, puesto que disminuían aún más el ya empobrecido poder adquisitivo, y acentuó el desencanto no sólo hacia el gobierno de Pérez sino hacia un sistema político neoliberal que evidenciaba la carencia de canales adecuados para la participación política y social.

 

Por tal motivo, a raíz de los sucesos del 27 y 28 de febrero de 1989, fueron severamente cuestionados los partidos y organizaciones políticas, sobretodo AD y COPEI, al ser sordos a las necesidades de la población,  y en palabras de Alejandro Patines al darle la espalda la pueblo que los había apoyado, daría paso a dos golpes de Estado en 1992, el primero de ellos el 4 de febrero, liderado por el hoy presidente de la República Hugo Chávez Frías.

 

 

"Debido a eso se desencadena después la elección del presidente Chávez en las urnas, pero eso es producto del 27 de febrero sin esas medidas de choque que se aplicó el mismo pueblo, el país no hubiera cambiado de rumbo", afirma Alejandro Patines

Con relación a ese hecho, Elio Bolívar recuerda que "cuando el golpe del 4 de febrero, que dirigió el actual presidente Hugo Chávez, nadie salió a defender al gobierno, el pueblo no salió, aún y cuando había ganado hacía poco tiempo con una enorme cantidad de votos, no hubo ninguna manifestación de apoyo, allí lo que hubo fue una corredera hacia las embajadas, ya era un huérfano político el Gobierno de Carlos Andres Pérez"

 

"Al pueblo se le estaba quitando las vendas, afirma Bolívar y allí es donde estaba la inteligencia de Rafael Caldera de deslindarse de Acción Democrática y Copei y formar un nuevo partido, donde mucha gente de izquierda como Teodoro Petkoff y Pompeyo Máquez se unieron y formaron parte de ese gobierno, el vio que desligándose de  esos partidos podía llegar a la presidencia y de hecho lo logró".

 

En la opinión de el cronista de Guarenas, "de allí en adelante yo no creo que el miedo vuelva a tomar las calles del pueblo venezolano" y para ello pone como ejemplo el golpe petrolero y posterior golpe de Estado de 2002 que tenía como objetivo sacar al presidente Hugo Chávez, "cuando hubo el golpe de estado en el 2002 la gente volvió a salir a las calles, por lo menos los de Miranda que teníamos a la policía mirandina en contra, ellos pasaban amenazando con las armas pero la gente perdió el miedo y volvió a ser el venezolano rebelde, de ese 27 F que defiende sus derechos, y yo no creo que la pasividad del pueblo venezolano vuelva, aunque el pueblo ejerza su poder de forma pacífica mediante el voto como lo hemos demostrado en tantas ocasiones, la gente hoy siente su poder y conoce sus derechos y obliga a que se cumplan".

 

Según Ruben A. Hernández, historiador venezolano, "Al representar El "Caracazo" el despertar en la conciencia de un pueblo sometido a tanta explotación y desprecio por las minorías adineradas nacionales y transnacionales,  es indudable que se trató de una rebelión sin precedente en la Historia venezolana."

 

Fabiola Correa

Fonte: TeleSUR

publicado por Rojo às 22:48

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