Riqueza das Nações

Fomos passear pelo campo
a ver cercavamos as cidades pelo campesinato

 

Eu espereva uma longa marcha
e que me visses como um grande timoneiro

 

Viste um tipo com mais cabedal
e fizeste agonizar o teu querido intelectual

 

eu posso não ter grande músculo
mas tenho a minha dialéctica

 

E entre as minhas propriedades físicas
tenho muito sangue a passar pela minha cabeça

 

jurei que não faz mal
salário, lucro e capital... amen

 

Tentei telefonar
mas tu estavas de greve

 

fui bater à tua porta
mas tu estavas em lock-out

 

Tive uma crise de super-produção
precisava de escoar tanta produção em algum lado

 

Tentei sossegar ouvir o que dizia a burguesia
mas já estava com a revolução armada

 

Peguei num retrato da Margarette
E pintei o de novo de branco

 

Os trabalhadores precisam de esquecer
tamanho pesadelo

 

Esbarramos na rua outro dia
Lembrei te que ainda não exploraste a minha mais valia

 

Convidei-te para um sorvette
preparei o meu soviete

 

Popus-me de novo tomar a tua fábrica
e colocá-la em autogestão

 

Dizem-me amigos que tu és muita areia para a minha camioenta
Mas eu sou da classe ascendente, o proletariado

 

Estou pronto a assaltar teu palácio de inverno
querida deixa-me provar a hegemonia da minha classe

 

Há uma terrível contradição entre a socialização dos teus meios de produção
e a concentração (muito fechada) do teu capital

 

Andas sempre a passear pelo campo com aqueles marmelos
dos sindicatos amarelos

 

Andas de braços dados
com gorilas musculados

 

Os imperalistas

querem te nas capas das suas revistas

 

Desengana-te, não serás uma estrela

senão no topo desta rubra bandeira

 

Querida tu és a riqueza das nações

publicado por Rojo às 13:45