Mulher pirata

Mal era se te seguisse as pisadas.

Mal era se te desse razão.

 

Tu que um dia me perguntaste,

Porque não era eu como este ou

como aquele.

 

Porque fui eu mesmo, eu próprio

que te carregou ao colo

pelos piores momentos da tua vida.

 

Fui eu quem te fez mulher, dessa

tormenta que não sabias ser tão difícil,

que aguentou as velas do teu barco.

 

Ambos perdidos no mar alto, navegamos

através da tempestade e ao pôr do sol

nos dividimos.

 

Na loucura de te amar

procurei águas serenas

na viagem da tempestade.

Na viagem de me fazer homem.

 

Mas se tudo fiz por ti, também

a mim me tinha de experimentar

e ainda tentei chegar às águas serenas, depois

de te ver ao longe no mar.

 

Não sou de águas serenas, nem sei se existem

em algum lugar.

Quero sentir o calor da terra tranquila

e junto a ela me cultivar.

 

Mas se for preciso haver tormenta,

que venham daí as ondas do mar.

Tenho uma cana de pesca que também

pode ser lança para me libertar.

 

Juntando o medo de ser pobre

Ao medo de te perder,

jogamos o jogo de soma zero.

 

E de ti foi esse zero que me ficou.

publicado por Rojo às 19:40