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Domingo, 29 DE Março DE 2009

A Ditadura Militar brasileira, 45 anos depois do golpe de 1964 (parte 2)

(III)

A oposição parte para a luta armada

 

O que significa viver sob uma ditadura militar? É exagerado achar que a toda hora tem tanque na rua, soldados desfilando dentro das faculdades. Aparentemente não muda muita coisa, porque você vai às compras, ao dentista, à praia e ao cinema, namora e casa, vê tel evisão. A não ser o fato de que seu vizinho é oficial do Exército e você sabe que por isso ele manda aqui no prédio (e isso pode ser até bom para a vizinhança), o resto parece bem normal. Mas, se você tiver um pingo de consciência, desconfia que as coisas não vão bem. Existe um cheirinho de esquisitice: as pessoas falam baixo, há uma nuvem de mistério cobrindo o país, o estômago fica pesado demais.

Depois de 1964 ainda dava para fazer umas passeatazinhas e desafiar o regime. Depois do AI-5 (dezembro de 1968) o regime tinha fechado de vez. Passeata era dissolvida a tiros de fuzil. Em cada redação de jornal havia um imbecil da polícia federal para fazer a censura, Não poderia sair nenhuma notícia que desagradasse ao governo. Uma simples reportagem esportiva sobre o time do Internacional de Porto Alegre, com sua camisa vermelha, poderia ser encarada como “propaganda da Internacional Comunista”. Além da censura, o jornal não podia dizer que tinha sofrido a censura (isso, claro, também era censurado). O jeito foi botar receitas de bolo nos vazios deixados pelas partes retiradas pela polícia. As pessoas estavam lendo uma página sobre política nacional e, de repente, vinha aquela absurda receita para fazer uma torta de abacaxi. Os espertos sacavam logo que era um protesto. Os mais ingênuos (por conivência ou conveniência, chegavam a mandar cartas para as redações dos jornais, pois as receitas, por vezes, eram irracionais: “cinco quilos de açúcar, 100 g de farinha de trigo, dois quilos de sal, vinte tabletes de fermento, uma colher de chá de suco de laranja...” Não há receita que dê certo assim, hehehe. Claro que existem ainda hoje ingênuos ainda mais imbecis, que declaram coisas como: “naquele tempo o governo era muito melhor do que hoje. Bastava abrir os jornais, eles só tinham elogios para o governo. Aliás, também tinham receitas de bolo muito boas.”

Ninguém podia falar mal do governo. Reclamação na fila do ônibus era uma linha até à cadeia. Estudantes e professor es que conversassem sobre política poderiam ser expulsos da escola ou da faculdade, devido ao decreto-lei nº 477 (1969), Imagine o clima dentro da sala de aula. Se o professor contasse aos alunos o que você está lendo neste livro, corria o sério risco de não poder voltar mais à sala de aula. Ou mesmo para a sua própria casa...

_ O que você acha da situação atual?

_ Eu não acho nada! Tinha um amigo que achava muito e hoje ninguém acha ele! To fora!

Qualquer aluno novo que tentasse se enturmar era logo suspeito de pertencer ao SNI. Veja que coisa, a ditadura tolheu até as novas amizades! O político que fizesse oposição aguda seria logo cassado pelo AI-5. Foi o caso, por exemplo, do deputado federal Francisco Pinto (MDB), punido em 1974 porque fez no Congresso um discurso chamando de “ditador” o ditador chileno Pinochet em visita ao Brasil , o deputado Lysâneas Maciel (MDB) solicitou a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar denúncias de corrupção no regime. Não teve CPI nenhuma e ele ainda foi cassado. É isso aí: numa ditadura, a sociedade não pode fiscalizar o governo. Os cidadãos estão enjaulados, mas a corrupção está livre.

Com tantas dificuldades, como continuar fazendo oposição ao regime? Para muitos jovens, só havia um caminho a seguir: a luta armada. Falar em guerrilha nos anos 60 arrepiava muita gente. Ela parecia ser a grande arma de libertação dos povos do Terceiro Mundo. Exemplos não faltavam. Em Cuba, Fidel Castro e Che Guevara abriram o caminho: No Vietnã, os guerrilheiros de Ho Chi (Minh derrotavam a maior máquina de guerra do planeta, a do imperialismo norte-americano. Na Argélia, os guerrilheiros dobraram as tropas francesas e conquistaram a independência do país. Na própria China, a revolução socialista foi vitoriosa depois de anos de guerrilha camponesa comandada por Mao Tsetung. No Brasil não poderia ser diferente: muitos estudantes, velhos militantes da esquerda e in tel ectuais começaram a organizar grupos guerrilheiros. Para eles, depois do AI-5 não havia mais espaço para a legalidade. Só a luta armada libertaria o Brasil.

Ao contrário do que você possa pensar, o PCB foi contra a luta armada. Os comunistas acreditavam que a luta no momento não era nem socialismo nem reformas básicas, mas pelo fim do regime autoritário. Sua estratégia era a de se unir a todos os grupos democráticos contra o regime. Atuaria, clandestino, no MDB. Muita gente da esquerda considerou esse programa covarde, reformista (um xingamento horroroso, pois isso equivaleria a não ser um revolucionário. Mas naquele momento os comunistas eram qualquer coisa, menos revolucionários. ..). A juventude queria a mudança logo, a todo preço. E foram esses jovens, e  ainda, estudantes , intelectuais, operários e camponeses, que foram a luta armada. Um dos grandes gurus era o francês Regis Debray, que tinha sido companheiro de guerrilha de Che Guevara. Foi ele que lançou a teoria foquista: meia dúzia de combatentes criariam um foco guerrilheiro numa área rural. Primeira etapa, o treinamento militar. Depois, contato com a população. Ganham a confiança através do trabalho, da honestidade, de solidariedade. Imagine o efeito disso: o camponês jamais viu um médico e, de repente, aquelas pessoas o tratam com cuidado, curam seus filhos. Nesse processo, os guerrilheiros vão transmitindo suas idéias, mostrando que o latifúndio deveria ser confiscado, que os camponeses precisam se unir e se armar. E quando chegam os jagunços do fazendeiro, os guerrilheiros estão prontos para responder com fogo de armas de guerra, Pronto, está deflagrada a luta. Agora, junto com os camponeses que aderem ao movimento, eles se lançam para o mato. O Exército chega logo depois, quase sempre truculento: tortura moradores, incendeia barracos, molesta as meninas. O povo vê com clareza quem está do lado dele. Os guerrilheiros, por sua vez, nunca enfrentam o Exército de frente. As táticas incluem emboscadas, ações rápidas e fulminantes. Depois,  a fuga veloz: sua mobilidade e ataques de surpresa são armas letais. Conhecem a região, contam com o apoio logístico dos moradores. Quase invencíveis. Mas este é um foco. A teoria foquista imaginava que surgiria outro foco ali, e mais outro adiante, e outro, e outro. Até que um dia esses focos começariam a se unir para compor um grande exército popular. Tal como ensinou Mao Tsetung, o campo cercaria a cidade. E a revolução seria vitoriosa.

Quem eram esses guerrilheiros? Não eram muitos, apenas algumas centenas. Os simpatizantes, que eventualmente podiam esconder alguém em casa ou contribuir com dinheiro, não iam além de uns mil e poucos. Apesar de sonharem com a revolução proletária, havia poucos operários ou camponeses. Os líderes geralmente eram antigos comunistas, rompidos com o Partidão porque o PCB estava contra a luta armada. Ainda tinha um grupo importante de militares desertores do Exército. Muitos guerrilheiros eram como talvez você seja, amigo leitor, com 17 ou 18 anos de idade, estudantes secundaristas ou acabando de entrar na faculdade. A maioria dos guerrilheiros foi presa antes de começar a luta armada no campo. Na verdade, a guerrilha ficou sendo urbana mesmo.  A repressão do governo agia com muita eficácia e em alguns anos os grupos foram desman tel ados. No final, tinham de assaltar bancos para levantar fundos para a luta e seqüestrar embaixadores em troca da libertação de presos políticos.

A  tentativa que teve mais consistência foi a Guerrilha do Araguaia. Ela se desenvolveu mais ou menos entre 1972 e 1974, organizada pelo PC do B. Lembremos que, na época, ao contrário do PCB (que era de linha soviética e contra a luta armada) o PC do B seguia o socialismo chinês (o maoísmo) e apoiava a guerrilha. Pois bem, no começo dos anos 70, grandes empresas do Sudeste e multinacionais investiram em pecuária extensiva na região do Tocantins-Araguaia. Quando chegaram lá, já havia pequenas roças na mão de camponesesposseiros (não tinham documentos legais da propriedade da terra, apesar de trabalharem nelas havia muitos anos). Nem quiseram saber, passaram a fazer grilagem das terras (tomar ilegalmente) . Quando o camponês não queria abandonar a terra, os capangas da empresa iam lá, ateavam fogo no barraco, destruíam a plantação, espancavam os moradores. Como você pode perceber, as lutas de classes entre os grileiros e os posseiros eram muito fortes. O PC do B quis aproveitar esse  potencial de revolta e chegou na região para montar uma base de treinamento. Foram descobertos pelo Exército, que deslocou para região milhares de soldados. Contra uns 60 guerrilheiros. Numa região isolada do país, imprensa censurada, as pessoas só sabiam alguma coisa através de boatos. Mas na região do Araguaia até hoje as pessoas humildes se recordam do que aconteceu. Muitos militares abusaram do poder e espancaram brutalmente a população para que revelasse os esconderijos dos guerrilheiros. Os prisioneiros eram torturados de forma bárbara e muitos encontraram a morte depois que o corpo virou uma massa de pedaços de carne e sangue. Os guerrilheiros mortos foram enterrados em cemitérios clandestinos e até hoje as famílias procuram seus corpos. Em 1974, a guerrilha do Araguaia estava destruída.

O que dizer sobre essa loucura toda? Foram rapazes e moças, muitos ainda adolescentes, que tiveram a coragem de abandonar o conforto do lar, a segurança de uma vida encaminhada, a tranqüilidade da vida de jovem de classe média, para combater um regime opressor com armas na mão. Pessoas que dão a vida pelo ideal de libertação de seu povo não podem ser consideradas criminosas. Mesmo que a gente não concorde com os caminhos trilhados. Eles mataram? Certamente. Mas nunca torturaram. Nem enterraram suas vítimas em cemitérios clandestinos. E se o tivessem feito, nada disso justificaria a tortura e o assassinato executados pelo governo. Além disso,  seria mesmo inadmissível pegar em armas contra um regime antidemocrático que esmagava o povo brasileiro? Que moral uma ditadura tem para definir como deve ser combatida?

 

Repressão e Tortura

Como é que a ditadura conseguiu dizimar a guerrilha? A repressão foi selvagem.

Imagine que você fosse um guerrilheiro naquela época. Documento falso, revólver escondido na cintura, olhar assustado para qualquer pessoa da rua. Distante da família, dos amigos, de qualquer conhecido. Clandestino. Codinome, ou seja, nome inventado, nem os companheiros sabiam sua identidade. Se fossem presos, não poderiam te revelar. Vocês se escondem num apartamento discreto no subúrbio. E mudam de residência quase todo o mês. Esse esconderijo é chamado de “aparelho”. Um dia, você tem um ponto, ou seja, um encontro marcado com outro guerrilheiro. Ele não aparece. Provavelmente, caiu (foi preso). Em algumas horas, debaixo de paulada, pode ser que ele abra. Os meganhas logo vão chegar. É preciso desativar o aparelho rápido. De repente, chega a polícia. Tiroteio. Mortes. Se você escapar com vida, vai direto para o porão. Agora sim, você vai sentir na pele a face mais negra do regime. A tortura. Não houve guerrilheiro preso que não fosse barbaramente torturado. Ficar pendurado no pau-de-arara (um cavalete em que o sujeito fica preso pela barra que passa na dobra do joelho, com pés e mãos amarrados juntos) é um dos piores suplícios. Além disso, pontapés, queimaduras de cigarros, choques elétricos, alicates arrancando os mamilos, banhos de ácido, testículos amassados com alicate, arame em brasa introduzido pela uretra, dente arrancado a pontapés, olhos vazados com socos. Mulheres estupradas na frente dos filhos, homens castrados. A lista de atrocidades é infindável. Os torturadores são animais sádicos. Mas além da maldade pura e simples, havia a necessidade estratégica: a tortura extraía confissões em pouco tempo, dando oportunidade de prender outras pessoas, que também seriam torturadas, revelando mais coisas e assim por diante. Infelizmente, a tortura revelou-se bem eficaz. Houve muita gente, entretanto, que nada falou. Veja bem, amigo leitor, bastava contar tudo que a tortura acabaria. Essa era a diabólica proposta. Imagine-se no lugar do preso, apanhando feito um cão, nu, sangrando, com a cabeça enfiada num balde cheio de fezes e vômito dos outros. Algumas frases e você seria mandado para um hospital. No entanto, muitos não falaram. Bravamente, recusaram-se a colaborar com a repressão. Morto sob tortura tinha o caixão lacrado para ninguém ver o cadáver arrebentado. O laudo oficial do IML, emitido por médicos venais comprometidos com a ditadura dizia friamente que a morte tinha ocorrido “em tiroteio com a polícia”.

Uma geração que pagou um alto preço por seus sonhos: pagou com o próprio sangue. Por isso, amigo leitor, se hoje eu posso escrever essas linhas, se hoje você pode dizer o que pensa, saiba que entre os responsáveis por nossa liberdade estão aqueles que deram sua vida para que um dia o país não estivesse mais sob o jugo das botas da tirania.

Mas, afinal, quem eram os torturadores? Onde as pessoas eram torturadas? Ao contrário do que se possa pensar, a tortura não era feita em algum lugar escondido, uma casa de subúrbio ou uma fazenda afastada de tudo. Não, infelizmente as pessoas eram torturadas em lugares públicos, na frente de muitas testemunhas. Como Mário Alves, dirigente do PCBR, torturado até a morte nas dependências do Primeiro Batalhão de Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, Tijuca, Rio de Janeiro. Reparou no local? Um quar tel do Exército! Como também aconteceu em delegacias, em bases da Marinha. Através da Operação Bandeirantes (OBAN), do DOI-CODI, dos Serviços de Informação das Forças Armadas (CENIMAR, CISA, CIEX), do DOPS e do SNI, o governo exterminou a guerrilha com brutalidade.

Claro que a maioria dos militares não teve nenhum envolvimento com a tortura. Muitos sequer sabiam que ela estava acontecendo. Mas é inegável que os torturadores ocupavam importantes posições no aparelho repressivo do Estado: eram policiais civis, PMs, agentes da polícia federal, delegados, oficiais e sargentos da Marinha, do Exército, da Aeronáutica, médicos que avaliavam a saúde da vítima e autorizavam a continuação da tortura.

Muito triste é saber que alguns desses monstros permanecem na polícia, nas Forças Armadas e que foram anistiados pelo general Figueiredo em 1979. Neste país, jamais um torturador sentou no banco dos réus.

A ditadura não se manteve só com violência física. Ela soube se valer de uma propaganda ideológica massacrante. Numa época em que todas as críticas ao governo eram censuradas, os jornais, a tevê, os rádios e revistas transmitiam a idéia de que o Brasil tinha encontrado um caminho maravilhoso de desenvolvimento e progresso. Reportagens sobre grandes obras do governo e o crescimento econômico do país convenciam a população de que vivíamos numa época incrível. Nas ruas, as pessoas cantavam: “Ninguém segura esse país.” Os guerrilheiros eram apresentados como “terroristas”, “inimigos da pátria”, “agentes subversivos”. Qualquer crítica era vista como “coisa de comunista”, de “baderneiro”. Houve até quem chegasse ao cúmulo de acusar os comunistas de responsáveis pela difusão das drogas e da pornografia! O futebol, como não poderia deixar de ser, foi utilizado como arma de propaganda ideológica. Na época, a esquerda se perguntava: “O futebol aliena os trabalhadores, é o ópio do povo?” E houve até quem torcesse para que o Brasil perdesse a Copa: como se o trabalhador brasileiro precisasse de uma derrota no jogo de futebol para realmente se sentir oprimido! Ou seja, quem estava supervalorizando o futebol: o povão ou a esquerda? De qualquer modo, meu amigo, aquela seleção brasileira de 1970 foi simplesmente o maior time de futebol que já existiu. Pelé, Tostão, Jairzinho, Gérson, Rivelino, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, seus craques são inesquecíveis. O tricampeonato conquistado na Copa do México encheu o país de euforia. Nas casas (pela primeira vez a Copa foi transmitida ao vivo pela tel evisão) e ruas o povo explodia de alegria e cantava: “Todos juntos, vamos / Pra frente Brasil..” Os homens do governo, claro, trataram logo de aparecer em centenas de fotos ao lado dos craques. Queriam que o país tivesse a impressão de que só tínhamos ganho a Copa graças à ditadura militar (embora as vitórias de 1958 e 1962 tivessem sido no tempo da democracia, com JK e Jango). O prefeito de São Paulo , Paulo (que não era São) Maluf, resolveu dar para cada jogador um automóvel zero quilômetro de presente. O presidente Médici, vestido com a camisa rubronegra do Flamengo, era aplaudido de pé por parte da torcida no Maracanã. Triste país, o general chutava a bola, os torturadores chutavam os presos. Além do futebol, os brasileiros conheceram uma nova paixão, o automobilismo. Até hoje, o mundo só teve um único piloto capaz de vencer na sua estréia na Fórmula 1: o nosso Émerson Fittipaldi, campeão mundial em 1972 e 1974. Nas escolas vivia-se um clima de ufanismo (exaltação da pátria). Todo mundo tinha de acreditar que o Brasil estava se tornando um país maravilhoso. Nos vidros dos carros, os adesivos diziam: “Brasil - Ame-o ou Deixe-o!” É como se os perseguidos políticos foragidos tivessem se exilado por antipatriotismo. Um pontapé na verdade. Claro que essa euforia toda no começo dos anos 70 não vinha só das vitórias esportivas e da máquina de propaganda do governo. Em realidade, o país vivia a excitação de um crescimento econômico espetacular. Era o tempo do “milagre econômico”.

 

Governo General Emílio Garrastazu Médici (1969 – 1974)

 

 

Costa e Silva não teve muito tempo para se alegrar com os efeitos do AI-5. um derrame o matou, em agosto de 1969. O povo não teve tempo de se alegrar; uma Junta Militar, comandada pelo general Lyra Tavares, assumiu o governo até se nomear o novo general-presidente. 0 vice de Costa e Silva, o civil Pedro Aleixo (ex-UDN), não tinha apoiado totalmente o AI5 e por isso fora jogado para escanteio. No mesmo ano, ocorreu a Emenda Constitucional nº 1, que alguns juristas consideram quase como uma nova Constituição. Ela legalizou o arbítrio e os poderes totalitários da ditadura. Todas aquelas medidas arbitrárias tipo AI-5 e 477 foram incorporadas à Constituição. Além disso, ela estabeleceu que o presidente podia baixar medidas (decretos-leis) que valeriam imediatamente. 0 Congresso disporia de 60 dias para examinar o decreto. O Congresso tinha 60 dias para votar a aprovação. Se depois desse prazo não tivesse havido votação (o Congresso poderia, por exemplo, estar fechado pelo AI-5, ou com número insuficiente de membros comparecendo às sessões), ele seria automaticamente aprovado por decurso de prazo.

Dias depois, era indicado o novo chefe supremo do país. O novo presidente era o general Emílio Garrastazu Médici. Seu governo teve dois pontos de destaque: o extermínio  da guerrilha e o crescimento econômico espetacular (o “milagre”). Nenhuma época do regime militar foi tão repressora e brutal, Nunca se torturou e assassinou tanto. Nos porões do regime, as pessoas tinham suas vidas postas na marca do pênalti. E assim os órgãos de re-pressão marcaram gols, liquidando guerrilheiros como Marighella (4/11/69), Mário Alves (16/11/70) e Lamarca (17/09/71).

 Na economia, o ministro Delfim Netto comandou o milagre econômico. A produção crescia e se modernizava num ritmo espetacular. A inflação, dentro dos padrões brasileiros, até que era moderada, lá na casa dos vinte e tantos por cento. Construía-se com euforia. Obras, como a ponte Rio-Niterói, a rodovia Transamazônica, a refinaria de Paulínia e a instalação da tevê em cores (1972), pareciam mostrar que a prosperidade seria eterna. A classe média comprava ações na Bolsa de Val ores e imaginava se tornar grande capitalista. Para acelerar o crescimento, ampliaram-se as empresas estatais ou criaram-se novas, principalmente na produção de aço, petróleo, eletricidade, estradas, mineração e tel ecomunicações. Os nomes delas você já ouviu falar: Petrobrás, Eletrobrás, Telebrás, Correios, Val e do Rio Doce, Companhia Siderúrgica Nacional, Usiminas e tantos outros. Crescimento e modernização que não beneficiavam as classes trabalhadoras. Pelo contrário, quanto mais o país crescia, tanto mais piorava a vida do povo. Em 1969, por exemplo, o salário mínimo só valia 42% do que representava em 1959, Em 1974, isso desceu para 36%. Os ricos foram ficando cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres, A ditadura foi uma espécie de Robin Hood às avessas. Essa distribuição de renda ao contrário era facilitada pelo fato de que não havia nenhuma greve, nem sindicato independente, nem a oposição no Congresso tinha margem de manobra. Era uma ditadura que fazia uma coisa incrível: o país crescia como poucos no mundo e quanto mais riquezas eram produzidas, mais difícil ficava a vida dos trabalhadores.

E a Rede Globo, principal aliada da Ditadura, sempre lembrando ao povo miserável que "está tudo bem"...

Até nos países mais pobres da África, a mortalidade infantil diminuía. Nas grandes cidades brasileiras ela crescia, Quanto mais a renda per capita do Brasil aumentava, mais as crianças pobres morriam porque comiam pouco, não eram vacinadas, não tinham médico, De repente, houve uma epidemia de meningite, Doença que pode matar, É preciso que os pais estejam alerta. O que fez a ditadura? Proibiu que os jornais divulgassem qualquer notícia a respeito. O povo tinha de ser enganado pela imagem de que no Brasil a saúde pública estava sob controle, o que veio em seguida era previsível: os pais, sem saber do surto da doença, não davam muita importância para aquela febrezinha do filho, Achavam que era só uma gripe, Não levavam para o posto de saúde, Até que a criança morria, A meningite mataria milhares de meninos e meninas no Brasil, numa das mais terríveis epidemias do século, Só esse caso já mostra o quanto a ditadura era absurda, não é mesmo?

O ministro Delfim Netto dizia que era para o povo ter paciência: “temos de esperar o bolo crescer para depois distribuir os pedaços”. E até hoje o povão está esperando sua fatia. Pois é, na cara-de-pau, o general-presidente Médici dizia: “A economia vai bem, só o povo é que vai mal.” Viu? Uma coisinha à toa é que ia mal, um trocinho assim, sem importância, uma poeirinha desprezível chamada povo... Grande parte da classe média até que gostava daquilo tudo. Afinal, a ditadura, além de modernizar a indústria de base, estimulou a de bens de consumo duráveis. Maravilha das maravilhas: a família de classe média se realizava existencialmente comprando tevê em cores (desde 1972), aparelhagens de som, automóveis, eletrodomésticos. E até a classe operária foi arrastada nesse processo de crença na ascensão social baseada na aquisição do radinho de pilha ou do tênis maneiro,

A megalomania planejava as obras estatais, Assim como os cabelos eram compridos e as barras das calças eram “boca-de-sino” , as obras eram gigantescas, o governo fazia estádios de futebol em tudo quanto era canto, mas as escolas caíam aos pedaços, A rodovia Transamazônica, importante para iniciar a colonização da Amazônia, não incluiu nenhum projeto de proteção ao meio-ambiente, aos índios, aos camponeses e aos garimpeiros. A ponte Rio-Niterói (1974) foi realmente funda mental para ligar a economia do Nordeste do país ao Sudeste industrial (RJ e SP), mas ela custou uma fortuna. Certamente teria sido mais barata se as contas tivessem sido controladas democraticamente. Muita empresa construtora se deu bem fazendo essa obra encomendada pelo governo, Aliás, em quase todas essas obras faraônicas (ou seja, enormes, caras e quase inúteis, tal como as antigas pirâmides dos faraós do Egito) houve esquemas para homens do governo e firmas de engenharia civil ganharem uma boa grana por fora. Velha história: sem democracia a roubalheira rola solta porque não há imprensa livre, Congresso independente.

Um tratamento especial foi dado às empresas multinacionais (estrangeiras) . Elas tiveram mais favores do governo do que as empresas nacionais! O que não é de se espantar, pois grande parte dos homens do poder eram profundamente ligados aos grupos estrangeiros e não hesitaram em usar sua influência. Ana listas como Ricardo Bueno e Moniz Bandeira chegaram a considerar os ministros Delfim Netto, Mário Henrique Simonsen (que o presidente Collor queria para seu ministro), Golbery do Couto e Silva, Roberto Campos e outros como “notórios entreguistas” , ou seja, responsáveis conscientes pelo favorecimento escancarado do governo aos monopólios estrangeiros, É claro que hoje em dia não se pode ter mais aquela visão de ódio total às multinacionais. Afinal, com a internacionalizaçã o da economia, ou seja, a ligação econômica direta entre quase todos os países e continentes, elas se tornaram peças fundamentais da economia mundial. Inclusive, porque parecem realmente ser úteis parceiras em alguns setores, já que nenhum país pode ter sozinho tecnologia e capital para produzir tudo. Todavia, é sensato esclarecer alguns pontos: por que elas são as responsáveis por grande parte da dívida externa brasileira? Será benéfico o governo pedir dinheiro emprestado aos banqueiros internacionais para fazer obras gigantescas a favor das multinacionais? Ou simplesmente para financiá-las? Será correto que elas mandem para fora lucros de bilhões de dólares, em vez de aqui reinvestir? Será interessante o seu poder de levar à falência as empresas nacionais, através de uma concorrência desleal? Será que elas realmente nos transferem tecnologia ou só mandam pacotes prontos feitos nos seus laboratórios? Será que elas não mandam dinheiro escondido "por debaixo do pano"? Será que não interferem na nossa vida interna, combatendo governos que não lhes interessam, mesmo se estes forem a favor do povo? Será saudável que produzam aqui remédios e produtos químicos proibidos em seus países de origem? Por que será que um operário da Volkswagen ou da Ford no Brasil faz o mesmo serviço, nos mesmos ritmos e níveis de tecnologia, que operários dessas empresas na Alemanha ou nos EUA e, no entanto, ganha tão menos? Tantas perguntas...

Bem, aí estava o “milagre econômico”: modernização, crescimento acelerado, inflação moderada, facilidades para o investimento estrangeiro, e também ricos mais ricos e pobres mais pobres e aumento da dívida externa. Você reparou que era um esquema parecido com o que já havia no tempo de Juscelino Kubitschek? O desenvolvimento espetacular das tel ecomunicações e da indústria de bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos, prédios de luxo e mansões financiados pelo BNH) eram voltados principalmente para a classe média e superior. Milhões de brasileiros estavam meia por fora desse mercado. Claro, portanto, que essa festa não iria durar muito. 0 modelo se esgotava e a crise chegava mais rápido do que o Émerson Fittipaldi.

Governo do General Ernesto Geisel ( 1974 – 1979 )

O novo general-presidente, Ernesto Geisel, assumiu o governo num momento difícil da economia do Brasil e do mundo, Para alimentar o crescimento, ele pediu emprestado aos banqueiros estrangeiros e tratou de emitir papel-moeda. A inflação começou a aumentar e a engolir salários. Era o fim do “milagre econômico”. Agora, a insatisfação crescia. Isso ficava claro com o aumento de votos do MDB. Geisel percebeu que a ditadura estava chegando ao fim de sua vida útil. O jeito era acabar com o regime mas manter as coisas sob controle. Com ele, começaria a “distensão lenta e gradual”.

O ano de 1973 assinalou o inicio de um choque na economia capitalista mundial. Parecida com a de 1929, mas com efeitos bem menores para os países capitalistas desenvolvidos, que empurraram a crise para cima do Terceiro Mundo. De certa forma, os apertos econômicos dos países subdesenvolvidos, nos anos 90, foram continuação do processo de 1973. Tentaram botar a culpa nos árabes, porque eles aumentaram os preços do petróleo: Conversa fiada. O aumento foi apenas a recuperação de preços, que vinham caindo muito, desde os anos 50. Para você ter uma idéia, antes do aumento imposto pela OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em 1973, o preço do barril de petróleo no mercado mundial era inferior ao do barril de água mineral! Claro que o aumento dos preços pegou todo mundo de surpresa, aumentou os custos, cortou os lucros, provocando inflação e desemprego. A crise do petróleo reforçou a crise geral do capitalismo em 1973. Mas com certeza a crise não foi só energética. Afinal, países exportadores de petróleo também entraram em crise! O que aconteceu foi uma crise clássica de superprodução de mercadorias, tal como ocorrera em 1929. Depois da Segunda Guerra, os EUA representavam metade da produção econômica mundial. Mas nos anos seguintes a Europa Ocidental recuperou plenamente sua economia. Surgiu também um grande competidor, o Japão. De repente, o mercado mundial ficou apertado, não havia como continuar investindo capital nos mesmos ritmos. As mercadorias começaram a ficar encalhadas e logo vieram as falências, a inflação, a recessão. Aqui no Brasil, o governo botava a culpa nos outros. Dizia que a crise era mundial. Certo. Mas por que aqui ela era tão devastadora? Porque a política econômica da ditadura nos tornava indefesos. O petróleo não representava nem 25% das nossas importações em 1975. Além disso, não só aumentou nossa produção interna, como seus preços internacionais cairiam nos anos 80. No entanto, a crise foi aumentando, ano após ano. Uma coisa tão braba que o nosso jovem leitor com certeza viveu a maior parte de sua vida sob o signo da crise econômica brasileira.

O que acontece é que o modelo econômico da ditadura era baseado no pequeno mercado interno, representado pelos ricos e pela classe média. O país estava se transformando na Belíndia, uma mistura da Bélgica com a Índia: uma quantidade razoável de pessoas (classe média e superior) com padrão de consumo de país desenvolvido, vivendo numa área com grandes centros industriais e financeiros, ou seja, a parte do Brasil parecida com a Bélgica, e a gigantesca maioria (classe média baixa e classes inferiores) com

padrão de vida muito baixo, milhões vivendo tão miseravelmente como na Índia. Tinha-se alcançado um estágio em que não dava para aumentar a produção, por falta de consumidores aqui dentro. A Bélgica da Belíndia era pequena e a Índia da Belíndia era cada vez maior. Como produzir mais automóveis se a maioria dos brasileiros não tinha dinheiro para comprá-los? Ficava claro que só havia um jeito de ampliar o mercado consumidor: distribuindo renda. Para isso, seria preciso tocar em privilégios, mexer em interesses poderosos. Então , o regime militar não faria nada disso.

O governo preferiu outro caminho. Para a economia não entrar em recessão, isto é, para a economia não regredir, o Estado começou a tomar empréstimos externos para financiar a produção. Supunham que a economia cresceria, que as exportaÇões se tornariam espetaculares e que tudo isso daria condições de pagar a dívida externa. Só que os banqueiros internacionais não são trouxas. Emprestaram dinheiro porque sabiam que o Brasil teria de devolver muito mais em forma de juros. Se fizer mos as contas direitinho no papel, vamos concluir que nos anos 70 e 80, o Brasil pagou, só de juros, muito mais do que pediu emprestado! Ou seja, já pagamos tudo, continuamos pagando e ficamos devendo mais ainda! A dívida externa funciona como uma bomba de sucção que chupa os recursos da economia do Brasil. Aliás, o problema da dívida externa é comum em todo o Terceiro Mundo. Segundo os dados insuspeitos do Banco Mundial, na década de 80 foram drenados bilhões de dólares do Terceiro Mundo para o Primeiro. Ou seja, a parte pobre, esfarrapada e faminta do planeta é que mandou dinheiro para a parte milionária! Nos anos 90, é óbvio, esse esquema continua. O mais triste é quando a gente constata que grande parte da dívida externa brasileira foi contraída financiando a vinda de multinacionais, construindo obras gigantescas só para favorecer empresas estrangeiras (estradas, hidrelétricas) , sem falar construções que o governo nunca terminou, deixando as máquinas e o material serem destruídos pelo tempo. Pois é, apertado, o governo precisava de mais dinheiro ainda. Para ele, é fácil. É só fabricar, emitir papel-moeda. Aí, vem a inflação. Para evitar a inundação de dinheiro, o governo criou mercados abertos (opens markets), vendendo títulos, ou seja, papéis expedidos com a garantia do governo, que mais tarde poderiam ser resgatados (o proprietário devolveria para o governo em troca de dinheiro) por um valor superior. A idéia era "enxugar" o mercado, mas a medida deu a maior força para tudo quanto é tipo de especulação financeira, quer dizer, os empresários manobravam para negociar esses títulos com altos lucros. Eis aí um dos grandes problemas da economia brasileira a partir dali: a especulação financeira. Ela é um ganho artificial, já que não envolve nenhum investimento produtivo. No fundo, está transferindo riqueza da sociedade para o bolso de alguns espertinhos. A crise se manifestava com a queda da proporção dos lucros. Os empresários não tinham conversa: buscaram lucrar na marra, botando os preços lá em cima. Ora, é impossível que os empresários, como um todo, possam lucrar na base do simples aumento de preços. Quando alguém aumenta os preços, o outro aumenta também para compensar. Os trabalhadores querem salário maior só para compensar a perda com os aumentos gerais de preços. Os empresários aumentam os salários e, em seguida, sobem mais ainda os preços para reparar as perdas com a alfa de preços e salários. Vira um círculo vicioso. Resultado: o dinheiro vai perdendo o valor. Espiral inflacionária. E o pior é que geralmente os preços crescem mais rápido do que os salários. Portanto, quem mais perde com a inflação são os trabalhadores. Pois a inflação veio a jato, mas os salários andam a passo de cágado.

O general Ernesto Geisel era irmão do arquipoderoso general Orlando Geisel. Família unida é ditadura unida. Sua presidência ocorreu dentro desse panorama de crise econômica. Mesmo assim; Geisel se deu ao luxo de ter um ministro do Trabalho, Arnaldo Prieto, cuja mansão em Brasília, segundo o Jornal do Brasil, consumia, mensalmente, 954 kg de carne e 432 kg de manteiga, Que coisa: uma tonelada de bifes por mês, como devia ser gordo o ministro do Trabalho! Bem, com certeza os salários dos trabalhadores não eram tão gordos.

No meio da crise de energia, o Brasil teve a sorte de descobrir petróleo na bacia de Campos (RJ), em frente à cidade de Macaé. A Petrobrás pôde aumentar sua produção espetacularmente. Mas Geisel tinha também outros planos para resolver o problema energético: como não havia dinheiro no Brasil, a solução foi gastar mais dinheiro ainda. O acordo nuclear Brasil-Alemanha custou uma fortuna de bilhões de dólares. Para fazer usinas perigosíssimas num país onde 80% do potencial hidrelétrico ainda não foi aproveitado. Incrível, não? A usina de Angra dos Reis (RJ) fica exatamente entre os dois maiores centros industriais do país: São Paulo e Rio de Janeiro. Imagine se houvesse um acidente nuclear!

Na verdade, a velha Doutrina de Segurança Nacional continuava ativa. Geisel montou um acordo nuclear com a Alemanha porque acreditava que o Brasil precisava aprender a dominar a tecnologia capaz de produzir, num futuro próximo, a bomba atômica. Na mesma época, a Argentina, que vivia uma ditadura militar desde 1976, também sonhava com cogumelos nucleares. Guerra: coisa de gente que andou tomando uns cogumelos não exatamente nucleares, não é verdade?

No mesmo ano (1975), teve início o Projeto Pró-álcool. A idéia era substituir a gasolina pelo álcool combustível. Os usineiros se alegraram. As plantações de cana-de-açúcar foram ocupando tudo quanto é lugar, expulsando os camponeses moradores, acabando com as plantações de alimentos (tornando a comida mais cara) e despejando o poluente vinhoto nos rios. Nos anos 80, com a queda do preço mundial de petróleo, o Brasil ficou com uma enorme frota de carros movidos a um combustível caríssimo. Já em 1990, querendo melhores preços, os usineiros '`sumiriam" com o álcool. Na verdade, o álcool se revelou um combustível muito mais caro do que a gasolina (no posto, o álcool é mais barato porque é subsidiado, ou seja, o governo paga uma parte da conta. Mas onde arruma dinheiro para fazer essa caridade? Cobrando mais alto pela gasolina. Trocando em miúdos: quem tem carro a gasolina está ajudando a encher o tanque de quem tem carro a álcool). O que se viu nesses anos todos foi o governo emprestando milhões de dólares aos usineiros do Nordeste, do Rio de Janeiro e de São Paulo e depois perdoando as dívidas porque não suporta mais a choradeira dos produtores de álcool e açúcar. Enquanto isso, os cortadores de cana continuam passando fome.

Ora, por que não estimularam o transporte ferroviário e o fluvial, bem mais baratos, podendo, em alguns casos, usar energia elétrica? Não foi incompetência. Na verdade, desde Juscelino que uma das espinhas dorsais de nossa indústria é fabricação de automóveis e caminhões. As pressões das multinacionais desse setor forçaram o governo a abandonar outras opões de transporte. As estradas de ferro, tão importantes nos países desenvolvidos, foram relegadas a segundo plano pelo governo e as estatais deste setor tiveram seus recursos cortados.

O II PND (Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento) - o I PND foi no governo Médici, sob a batuta do ministro Delfim Netto -, comandado pelo ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, e pelo do Planejamento, Reis Velloso, tinha como objetivo começar a substituir as importações de bens de capital (indústria de base). Para isso, o BNDE concedeu créditos generosos a empresas privadas do setor, mas principalmente as empresas estatais tiveram grande crescimento, especialmente a Eletrobrás (que comprou a multinacional Light and Power e levou adiante a construção da maior usina hidrelétrica do mundo, Itaipu, na fronteira com o Paraguai), a Embra tel ( tel efones, satélites de comunicações, tel evisão etc.), a Petrobrás e as estatais de aço. Tudo isso alimentado por uma dívida externa que aumentava sem parar. Em breve, os banqueiros viriam cobrar a dívida e os juros. Aí, a economia sentiria a fona de sucção dos interesses internacionais.

“Distensão ‘lenta, gradual e segura’ rumo à democracia”

Os resultados dos problemas econômicos foi que nas eleições para deputado federal e estadual e para o Senado, em 1974 e 1978, o MDB teve ótima votação. Um aviso claro para o pessoal da ditadura se mancar. O povo estava dizendo não ao regime.

No Alto Comando Militar, as divisões políticas se acentuaram. Uns achavam que a ditadura deveria ir afrouxando, acabando de modo lento e controlado. Talvez, para os ditadores saírem discretamente pelos fundos, sem ninguém correr atrás deles. Esses generais moderados e favoráveis ao gradual retorno à normalidade democrática eram chamados de cas tel istas, porque se sentiam continuadores de Cas tel lo Branco. Era o caso do próprio Geisel e do presidente seguinte, Figueiredo. Outros militares defendiam a “linha dura” - alguns desses eram civis -, e queriam apertar mais ainda. Costa e Silva e Médici, por exemplo, tinham sido de linha dura. Começou então um combate nos bastidores, entre os militares cas tel istas e os linha dura. E os linha dura bem que pegaram pesado.

Em outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog, diretor de tel ejornalismo da TV Cultura de São Paulo , foi chamado para um interrogatório num quar tel do Exército, sede do DOI-CODI. Lá ficou, preso e incomunicável. Dias depois, a família recebeu a notícia de que ele havia “se suicidado”. Com um detalhe: teria de ser enterrado em um caixão lacrado, para que ninguém pudesse ver o estado do cadáver. Suicídio mesmo ou o corpo estava arrebentado pela tortura? No ano seguinte, o operário Manoel Fiel Filho sofreu o mesmo destino. A farsa era evidente: é óbvio que ambos tinham sido mortos por espancamento. Em homenagem a Herzog , o cardeal de São Paulo , D. Paulo Evaristo Arns, junto ao pastor James Wright e ao rabino Henri Sobel, dirigiu um culto religioso ecumênico (reunindo as religiões) em frente à catedral da Sé. Havia milhares de pessoas nesta que foi a primeira manifestação de massa desde 1968. Mostra clara de que a sociedade civil estava voltando para as ruas para protestar contra o arbítrio.

Indiretamente, Geisel reconheceu o crime. Não prendeu ninguém, mas exonerou o comandante do II Exército, responsável pelos acontecimentos. Deixava claro que não admitiria os atos violentos da linha dura. Em 1978, o Poder Judiciário daria ganho de causa à família de Herzog, botando a culpa na União. Sinal dos tempos. Claro que a esquerda não podia dar bobeira. A ditadura ainda existia. Um trágico exemplo disso foi o massacre da Lapa, quando agentes do Exército invadiram uma casa nesse bairro da capital paulista, em 1976, onde se realizava uma reunião secreta de dirigentes do PC do B. As pessoas nem puderam esboçar reação: foram exterminadas ali mesmo, covardemente. Apesar disso, Geisel apostava na distensão lenta e gradual. Para isso, teve de usar a habilidade para derrubar seus opositores de linha dura. A balança pendeu para o seu lado quando ele, num gesto fulminante, exonerou o general Sílvio Frota (1977), ministro do Exército, tido como de extrema direita e ligado à tortura.

A partir daí, a dureza do regime começou a diminuir bem devagar. Alguns militares eram favoráveis à distensão política porque realmente estavam imbuídos de convicções democráticas. Outros, não tão liberais, avaliavam que as Forças Armadas estavam começando a se desgastar ao se manter num governo que enfrentava uma crise econômica violenta. Geisel, portanto, tinha um plano claro: distensão lenta e gradual. Ou seja, abrir o regime bem devagarzinho e sem perder o comando sobre ele. Dentro deste espírito de distensão controlada, Geisel buscou evitar as vitórias eleitorais do MDB. Para isso, mudou as regras das eleições. Seu ministro da Justiça, Armando Falcão, famoso pela in tel igente proibição da transmissão, pela tevê, do balé Bolshoi de Moscou (bailarinos são presa fácil do comunismo?), inventou a tal Lei Falcão (1976), que dizia que a propaganda política na tevê só podia exibir uma foto 3X4 do candidato e seu currículo, lido por um locutor. Nada de um candidato do MDB aparecer na tel inha ou no rádio para criticar o governo e fazer propostas novas.

O natal de 1977 foi antecipado: Geisel fechou o Congresso e deu um presentinho para os brasileiros, o Pacotão de Abril. Lindas surpresas. Para começar, a cada eleição a Arena perdia mais deputados para o MDB. Em breve, o partido do governo não teria os 2/3 do Congresso necessários para mudar alguma coisa da Constituição. Então, o Pacotão determinava que a Constituição agora poderia ser modificada com apenas 50% dos votos dos congressistas mais um. Assim, a Arena (ainda maioria) garantia seu poder constitucional. No senado, o MDB também ameaçava. Resultado: o Pacotão determinou que um terço dos senadores passariam a ser biônicos, ou seja, escolhidos indiretamente pelas Assembléias Legislativas de cada Estado. Em outras palavras, a Arena já tinha garantido quase 1/3 do senado, os outros 2/3 seriam disputados com o MDB nas eleições normais, o Pacotão também alterou o quociente eleitoral, de modo que os estados do Nordeste, onde a população rural ainda era dominada pelos currais eleitorais, e portanto votava com a Arena, tivessem assegurado o direito de eleger um número maior de deputados para o Congresso. No sertão nordestino, chuva mesmo, só de deputados da Arena. O Pacotão fazia das eleições um jogo de futebol em que o dono da bola joga de um lado e, ao mesmo tempo, é juiz.

Em 1978 foi decretado o fim do AI-5, o que mostrava alguma boa vontade de Geisel com a distensão política, Mas antes de ele acabar com o ato arbitrário, usou o AI-5 para cassar diversos opositores. Mais ou menos como o pistoleiro que mata todo mundo e que, depois de acabarem as balas, resolve se arrepender do que fez. A garantia disso. tudo era a Lei de Segurança Nacional (LSN) que continuava sendo mantida.

Em política exterior, o Brasil baseou-se no chamado pragmatismo responsável: restabeleceu relações com países comunistas como a China, porque isso trazia vantagem comercial e diplomática. Em 1975, na África, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde deixaram de ser colônias de Portugal. No poder, partidos de orientação marxista, apoiados por Cuba e URSS. Acontecia que o governo militar ainda seguia a visão da Doutrina de Segurança Nacional que sonhava em transformar o Brasil na grande potência que dominaria a América do Sul e o Sul da África. Por isso, o Brasil não teve conversa e apoiou os governos de esquerda em Angola e Moçambique , inclusive contrariando a vontade do governo racista da África do Sul e dos EUA. Na verdade, os EUA, do presidente Carter, andaram pressionando o governo militar brasileiro por causa da violação de direitos humanos (incluindo tortura e execução de presos políticos). Coisa de americanos: apoiaram o golpe de 64, depois mudaram de governo e passaram a criticar. Diante disso, e de olho no acordo nuclear Brasil – Alemanha, Geisel acabou rompendo um acordo militar Brasil-EUA. Isso mostra uma coisa muito importante: apesar de o regime militar brasileiro ter sido apoiado pelos EUA, tinha os olhos voltados para outros imperialismos, como o alemão, inglês, etc.

No final do seu governo, Geisel passou o bastão para o general Figueiredo. A crise continuava e as pressões populares pelas mudanças, também.

Bibliografia:

História do Brasil – Luiz Koshiba – Ed. Atual

História Crítica do Brasil – Mário Schmidt – Ed. Novos Tempos

História do Brasil – Boris Fausto – Ed. Difel

 

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Fonte: Cultura Brasil

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Domingo, 29 DE Março DE 2009

A Ditadura Militar brasileira, 45 anos depois do golpe de 1964 (parte 1)

Nota: um poema que o companheiro Vanderley Caixe fez nos 43 anos da Ditadura Militar.
 
43 ANOS DA DITADURA MILITAR
Vanderley Caixe


CARTA O BERRO. ..........repassem.

 

43 ANOS DA DITADURA MILITAR
Vanderley Caixe

Foi uma longa noite!
Me recordo dela destruindo sonhos,
gentes "desaparecendo",
nos rios, nos porões do DOPS,
depois nos DOI-CODIs de todo o Brasil.

Eu era um menino-desadolescente,
era estudante consciente,
mas tudo acabou de repente,
naquelas fardas repletas de
medalhas e pingentes.

Os novos dirigentes
não precisavam de gente.
Precisavam da pusilanimidade,
dos lambe-botas, da unanimidade,
do ajoelhar daquele dia,
de toda covardia.

Deram o golpe de Estado e
compuseram o que quiseram.
Criaram leis, decretos, institucionais,
atos severos e não banais,
fizeram do Brasil céu de anil,
exemplos da p.q.pariu.

Prenderam e arrebentaram,
massacraram e torturaram.
Do chão a semente plantaram sem dó,
o medo, o degredo,
roubaram até a aliança da minha avó.
(era ouro para o bem do Brasil - do bolso deles.)

O lixo, o restolho,
os rebotalhos das delegacias,
viraram da noite para o dia,
AUTORIDADE!

Estava plantada no planalto
a DITADURA MILITAR - Brasil-EEUU
(leia-se Estados unidos).
Nós aqui: fodidos.

Veio MEC-USAID,
veio Globo (Time-Life),
veio Veja,
vieram ministros-generais,
todos diretores de multinacionais.

Criaram uma nova profissão:
general ladrão.
Andreazza para a ponte Rio-Niteroi,
Costa Cavalcanti, para Itaipu,
Roubo que até hoje dói.
Não é preciso procurar de lanterna,
basta ver a dívida externa.

Era preciso fazer um novo país servil,
mudanças para desmontar o Brasil,
cassar políticos nacionalistas,
prender lideranças estudantis,
operários e sindicalistas.

Um grande plano foi montado,
para a justiça foi reservado,
atividades sem garantias,
para todos os juizes togados:
libertar presos políticos, juízes eram castigados.
Habeas-corpus suprimido e,
os desmandos policiais generalizados.
Inocentes, ou culpados, até prova em contrário,
respondiam no cartorário.

Nem os livros se podia ler,
até conversar era temerário.
Havia sempre um dedo-duro
cumprindo um papel de otário.
Nem os jornais iam dizer
a verdade e o acontecer.
Nas matérias censuradas, podem crer,
iam receitas de bolos e textos literários.
Ó Lusíadas de Camões,
nunca foi tão lidas pelo parvo.

Quem podia, se sumia,
cientistas, cultores do saber,
gente de bem com a Pátria.
Tudo se ia. Uns pra Europa se podia,
Quem não podia, aqui mesmo era enquadrado.(SE FODIA)

Milico virou poder,
poder degenerado.
Era de se crer,
um poder desmascarado.

Aos jovens não se perdoou a altivez,
as marchas e as passeatas.
Cães, botas, cavalos e cacetadas,
massacrando,ferindo, e, esperando, talvez
uma moçada silenciada.

Ledo engano.
Daquela luta ou se fez,
da força, da luta armada.
Embora com estilingues, outras vez,
lutando pela Pátria amada.

Então, esse Estado usurpado,
aos estrangeiros-imperialistas servindo,
fez da força a carnificina,.
Fez do Estado um pecado:
matou homem, criança e menina,
na tortura, no choque e no machado.
Muitos corpos até hoje, nunca foram encontrados.

Os assassinos de Estado,
serviçais da elite e de nações devoradoras,
aos poucos foram sendo solapados.
A nação se cansou, abriu os olhos democratas.
Uma nova sociedade precisava.
Precisava de um novo Estado.
Uma democracia nova, sem milicos e sem golpistas.
Precisava de um espaço coerente,
uma nova fonte de vista.

A democracia se fez,
com eleições e Anistia.
A ditadura se foi mas,
até hoje seus males persistia.
PERSISTE!

43 ANOS DA DESGRAÇA DESTE PAÍS.
43 ANOS DA DITADURA MILITAR-EEUU.

DITADURA NUNCA MAIS!

 

Nota: Segue-se uma sequência de artigos do companheiro Vanderley Caixe sobre o golpe militar de 1964 e a Ditadura Militar.

 

(I)
 

Estamos há 13 dias dos 45 anos do golpe militar (civil-militar-imperialista) que infelicitou o nosso País por várias gerações.

Muitos dos que estão lendo esse e-mail, hoje, talvez nem tivessem nascidos na época, muitos outros ainda estavam na infância e pré-adolescência.

Os conhecimentos sobre os fatos e as nefastas conseqüências, apesar das evidências no tempo, muitas vezes a literatura não revele todos os fatos e os aspectos mais importantes da nossa história , marcada por esse fato trágico ao destino de toda a Nação Brasileira.

Um fato importante que se acresce é que a Ditadura nos seus estertores tentou burlar toda legislação internacional anistiando torturadores por crime imprescritível.(crime de lesa-humanidade);

Outro, escondendo documentos fundamentais para esclarecimento dos fatos ocorridos: prisões, torturas, assassinatos, localização dos corpos dos revolucionários, cemitérios clandestinos,etc.

Além de um processo seguido de alienação política e cultural que marcaram mais de quatro gerações, através da censura, da queima de livros e filmes, da proibição de peças teatrais. Da manipulação do ensino, suprimindo matérias importantes para o conhecimento da história, da filosofia, da sociologia, etc.

Ainda, o exílio forçado de in tel ectuais, obrigados a residir no exterior, deixando de dar a sua contribuição a cultura do nosso País.

Doutro lado, impedindo as reformas de base necessárias ao avanço da economia, principalmente no campo social, como as reformas : agrária, bancaria, urbana, da habitação, da lei da remessa de lucros, etc.

Transformou o nosso País no paraíso das multinacionais, dos banqueiros, dos latifundiários, enfim das elites econômicas.

Portanto, em vários momentos da Carta O Berro, estaremos repondo conhecimentos históricos relativamente ao fato principal: o Golpe Militar-Civil e Imperialista  e seus desdobramentos.

Haveremos de mostrar , além,  vários vídeos mostrando como os norte-americanos ( tel efonema do presidente dos EEUU, Lindon Johnson, falando com adidos militares articulando o golpe com vários governadores de Estado brasileiros e outras autoridades civis e militares.

Enviaremos, também,alguns referenciais retrospectivos do que foi a Ditadura nesses anos e aspectos da luta de resistência dos brasileiros revolucionários.

 

Clica aqui:

http://www.youtube.com/swf/l.swf?swf=http%3A//s.ytimg.com/yt/swf/cps-vfl86375.swf&video_id=Q65Pz-sFci8&rel=1&eurl=http%3A//br.mc353.mail.yahoo.com/mc/welcome%3F.rand%3D2du0ssfc69a05&iurl=http%3A//i2.ytimg.com/vi/Q65Pz-sFci8/hqdefault.jpg&sk=AjzPRWh_beb3ha40_XDeP3L8m7F3N3wTC&fs=1%22%3E%3C/param%3E%3Cparam&hl=pt-br&cr=US&avg_rating=4.76470588235&length_seconds=370&allow_ratings=1&title=AMERICANOS%20TRAMAM%20APOIO%20AO%20GOLPE%20DE%2064

 

(II)

Ditadura militar

 

Quadro apresenta principais fatos entre 1964 e 1985

1964

Em 31 de março um golpe político-militar depõe João Goulart da Presidência da República. O Ato Instiucional nº 1 suspende os direitos políticos de centenas de pessoas. O general Castelo Branco toma posse como presidente.

1965

Extinguem-se os partidos políticos existentes e institui-se o bipartidarismo, com a Aliança Renovadora Nacional (Arena), de apoio ao governo, e o Movimento Democrático Brasileiro, de oposição.

1966

Suspensas as eleições diretas para cargos executivos. Vários deputados federais são cassados. O Congresso, ao protestar, é posto em recesso por um mês.

1967

O marechal Costa e Silva toma posse na Presidência da República. Líderes da oposição organizam uma frente ampla contra o governo militar.

1968

Oposição é reprimida com violência. O Ato Institucional nº 5 marca o endurecimento do regime, agora abertamente ditatorial.

 1969

Costa e Silva é afastado por motivo de saúde. Uma junta dos ministros militares assume provisoriamente o governo. A alta oficialidade das Forças Armadas escolhe o general Garrastazu Médici para presidente.

 1970

A oposição ao regime se torna mais intensa, com guerrilhas na cidade e no campo. Os militares reagem com violência. Nos "porões" da ditadura, passam a ocorrer mortes, desparecimentos e torturas. 

 1971-1973

 A repressão vence a guerrilha. O país experimenta um momento de desenvolvimento econômico que ficou conhecido como "o milagre brasileiro". A economia cresceu, mas em detrimento da preservação ambiental e com o aumento da dependência do petróleo importado e do capital externo.

 1974

O general Ernesto Geisel assume a presidência, enquanto o MDB conquista uma vitória expressiva nas eleições legislativas. 

 1975-1976

 Geisel representa a ala moderada dos militares e tenta promover uma abertura, enfrentando seus próprios pares. O crescimento econômico se mantém mas já há sinais de crise, proveniente sobretudo do aumento do preço petróleo e da dívida externa.

 1977

A sociedade civil passa a reivindicar efetivamente a recuperação dos direitos democráticos. 

 1978

Fim do AI- 5. A abertura política progride lentamente. 

 1979

O general João Batista Figueiredo assume a presidência. Aprovada a lei da anistia. Centenas de exilados retornam ao país. O pluripartidarismo é restabelecido. 

 1980

Agrava-se a crise econômica. Aumentam as greves e as manifestações de protesto. O PDS substitui a Arena e o PMDB o MDB. Fundam-se o PDT e o PTB.

 1981

 Continuam os conflitos internos entre a ala radical e a ala moderada das forças armadas. Figueiredo tem um infarto e o poder fica nas mãos de um civil, Aureliano Chaves, durante três meses.

 1982-1983

Eleições diretas para governadores e prefeitos, com vitória da oposição em Estados como São Paulo , Minas Gerais e Rio de Janeiro. O PT obtem seu registro na Justiça Eleitoral. Sem condições de pagar aos credores externos, o Brasil vai ao FMI.

 1984

Uma campanha por eleições diretas para presidente da República agita o país. Emenda à Constituição é votada com esse objetivo, mas não consegue ser aprovada no Congresso. O fim do regime militar é iminente.  

 1985

Indiretamente, o civil e oposionista Tancredo Neves é eleito presidente da República. No entanto, com sua morte anterior à posse, assume seu vice, José Sarney.  

                                                                                  

Leia mais: (clique nos itens ao lado)

· Ditadura militar (1964-1985)

· Governo Castello Branco (1964-1967)

· Governo Costa e Silva (1967-1969)

· Governo Médici (1969-1974)

· Governo Geisel (1974-1979)

· Governo Figueiredo (1979-1985) 

 

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Quinta-feira, 26 DE Março DE 2009

O maoísmo na Venezuela Bolivariana

Liga Socialista

 

Um dos mais antigos partidos maoístas venezuelanos chama-se Liga Socialista e começou por ser um braço político da guerrilha "Organização de Revolucionários" (OR) cuja formação se remonta a 1969, segundo a wikipédia. A sua origem deu-se a partir da fragmentação da guerrilha rural do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR, em sigla espanhola) em 1968, cuja direcção em maioria desiste da luta armada. Inicialmente era constituida pela guerrilha OR, a partir de 1969, mas seguindo uma estratégia de combinar uma guerrilha urbana (os OR) com um trabalho político legal, funda-se a Liga Socialista em 1973 (fonte: basirruque, jornal da LS).

 

Com este trabalho político legal a Liga Socialista participa em várias eleições em coligações de esquerda (apoiando José Vicente Rangel em 1983 e Chávez a partir de 1998) tendo obtido como máximo de votos cerca de 58 mil a nível nacional em 2006. A Liga Socialista (LS), tal como o MIR e a OR que a originaram, teve sempre como base social os estudantes universitários. Hoje a LS é uma corrente interna (chamada "socialistas")  do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o principal partido da revolução venezuelana. O seu líder histórico era Jorge Rodriguez Gomez (brutalmente assassinado pelo Estado burguês) pai do actual presidente da câmara municipal de Libertador (Caracas) pelo PSUV.

 

Bandera Roja

 

Um outro partido maoísta formado quase ao mesmo tempo que a Liga Socialista, foi o "Bandera Roja", em outra dissidência do MIR. Formou-se em 20 de de Janeiro de 1970 (fonte: Wikipédia). Este grupo enveredou pela linha maoísta mais radical e ultra-esquerdista, seguindo o maoísmo albanês de Enver Hoxha. A sua base social foram sempre os estudantes universitários do mesmo modo que a Liga Socialista, mas chegou a ter uma implantação rural considerável. Desde a sua fundação até meados dos anos 80 obteve várias vitórias militares como guerrilha rural enfrentando o exército venezuelano e foi crescendo. Mas em 1982 sofreu uma pesada derrota com um enfrentamento com o exército que praticamente a dizimou. A partir daí passou a focar mais no seu trabalho político nas cidades (com pequenas acções de guerrilha urbana e luta de massas), concretamente nas universidades, embora a guerrilha rural só fosse oficialmente dissolvida em 1994. Em 1992 o partido BR apoiou a insurreição popular-militar, de partidos de esquerda e de militares leais a Hugo Chávez

 

Com a eleição de Chávez em 1998, este partido inicia uma deriva de direita, colocando-se em oposição a Chávez dentro da aliança da direita venezuelana, inicialmente chamada de "Coordenadora Democrática". O seu líder histórico é Gabriel Puerta Aponte. Alguns dos seus antigos quadros passaram para o lado chavista (sendo mais consequentes com os seus ideais), como é o caso do ministro da Agricultura, Elías Jaua, e da dirigente do PSUV, Vanessa Davies, ambos tinham sido recrutados pela BR em universidades. Outros passaram para os partidos de direita, sofrendo com isso o Bandera Roja um esvaziamento.

 

Movimento Revolucionário Tupamaro

 

O Movimento Revolucionário Tupamaro (MRT) é um movimento maoísta muito sui generis, pela forma como nasceu e pelas características da sua acção. Nasce em 1992 como consequência da revolta popular do "Caracazo" (em 1989), tendo origem no "complexo de favelas" 23 de Janeiro. Portanto desafia a lógica do maoísmo tradicional oriental baseado nos camponeses das zonas rurais e também desafia a lógica do maoísmo ocidental baseado tipicamente em estudantes de classe média (ou camadas pequeno-burguesas como se diz na gíria marxista). A sua acção foi sempre caracterizada por defender as "favelas" ou bairros populares (sendo os seus bastiões em Caracas) da acção repressiva da polícia e da influência nefasta dos traficantes de droga (ambos considerados pelo MRT como agentes do capitalismo), enquanto apoiam formas de participação popular ou auto-organização (exemplo: rádios e televisões comunitárias, conselhos comunais e "missões"). Pelo lado negativo há que referir que este grupo mantém alguns confrontos com outros grupos chavistas baseados nos bairros, por exemplo com a Unidade Popular Venezuelana (UPV).

 

Com a chegada ao poder de Chávez, o MRT começa a participar em eleições, deixando a clandestinidade (chegando a obter 67 mil votos a nível nacional). Não se fundiu no PSUV como outros grupos chavistas (essa questão foi postergada). O seu líder é José Tomas Pinto Marrero.

publicado por Rojo às 17:33
Quarta-feira, 18 DE Março DE 2009

Planos de Obama sobre educação geram polêmica

Nota: Humm... o presidente Obama está a aprender umas coisas com a nossa sinistra ministra da educação. O neoliberalismo não tem emenda.

17 DE MARÇO DE 2009 - 13h48 

As mudanças na educação propostas pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, geraram nesta terça-feira (17) diversas reações entre especialistas e professores.


Embora muitos tenham elogiado sua ideia de ampliar a jornada escolar, outros pediram maiores recursos para melhorar a infraestrutura nas escolas.
"A qualidade das escolas é mais importante, porque ainda que tenha os melhores professores, se as instalações estiverem em más condições, o progresso educativo será muito pequeno", assinalou a pedagoga Belinda Reyes.
A ideia de Obama de "recompensar os bons professores e parar de dar desculpas aos maus" também gerou vários questionamentos por parte dos sindicatos.
A Associação de Mestres da Califórnia repudiou os incentivos baseados nos bons resultados dos estudantes, já que isso faria com que os docentes "se preocupassem apenas em ensinar para que os alunos se saíssem bem nas provas".
"Quando um trabalhador se converte em um empregado permanente pode ser que talvez não trabalhe como deveria ou perca o entusiasmo, mas é responsabilidade dos distritos escolares oferecer ajuda e o treinamento adicional", comentou Frank Wells, porta-voz da CTA.
Ao mesmo tempo abriu-se uma nova polêmica, se o país deveria ter um padrão para aplicar a toda a nação, de forma igual, ou se deveria continuar como na atualidade, que permite aos estados determinar o nível apropriado de exigências aos estudantes.
"A educação responde a necessidades locais, e se colocarmos mais regras federais, vamos nos focar cada vez mais nas provas que servem para o aluno superar uma marca", estimou Miguel Reyes, porta-voz da Associação Nacional de Educação.
Uma das ideias mais aplaudidas do presidente é sua decisão de incrementar as verbas para a educação básica, que possibilitará a mais 150 mil crianças a frequentar os cursos pré-escolares no país.

 

 

Fontes: Agência Prensa Latina e Diário Vermelho

publicado por Rojo às 01:14
Terça-feira, 17 DE Março DE 2009

A Crise do Capitalismo na Irlanda é muito maior do que se pensava

(...)

Entre 2002 y 2007 el PIB irlandés creció a una media del 5,6 por ciento anual. En 2008 la economía se contrajo por encima del 2%. Las previsiones para 2009 son de una contracción del PIB del 6 por ciento. El efecto en el índice de desempleo ha sido drástico. Hace dos años había unos 150.000 parados en Irlanda, el pasado mes de febrero la cifra llegó a 354.000, un 10,4 por ciento de la población activa. El gobierno prevé que 2009 se cierre con 450,000 parados, por encima del 14 por ciento.

 

El descenso en la actividad económica ha repercutido en los ingresos del Estado. En julio del año pasado el gobierno decidió recortar el presupuesto anual del estado en 1.400 millones de euros. En octubre, se introdujo un nuevo recorte de 2.000 millones; en febrero pasado, se añadieron otros 2.000 millones. Estos recortes afectan a educación, sanidad y prestaciones sociales. El gobierno también ha anunciado que los impuestos van a subir, aunque no para las corporaciones, que con un 12,5 por ciento pagan los impuestos empresariales más bajos de la Unión Europea. Sin embargo, el impacto de la crisis va a ser brutal para el bolsillo de los trabajadores. En el sector público, por ejemplo, los sindicatos de la enseñanza han calculado que los trabajadores verán sus salarios recortados en un 14 por ciento.

(...)

 

Fonte: Marxist.com

publicado por Rojo às 15:33
Terça-feira, 17 DE Março DE 2009

A Crise do Capitalismo na cultura norte-americana: Os Simpsons

Nota: Os Simpsons entram no esquema de hipotecas "subprime" e são levados pelo sistema financeiro fraudulento norte-americano. Como resultado ficam sem casa.

 

Haz click en cualquier video para verlo
Puedes ver otros en radiomundial.com.ve

 

A situação aqui referida é bem real e está a ser sentida por milhões de norte-americanos, alguns vão mesmo parar a campos de tendas improvisados, como se vivem-se num país em guerra. E é que vivem mesmo, vivem num país numa guerra da oligarquia capitalista contra os trabalhadores comuns que sustentam esse império asqueroso.

publicado por Rojo às 12:16
Terça-feira, 17 DE Março DE 2009

Estado Español: un polvorín a punto de estallar

Por Carlos Ramirez

12 de Março de 2009

 

La crisis capitalista mundial está teniendo una especial incidencia en el estado español. Todos los indicadores están sufriendo un auténtico desplome. El PIB, que en 2007 alcanzó un crecimiento del 3,7%, en  2008 se situó su en un raquítico 1,2%, produciéndose en el tercer trimestre de 2008 una caída del 0,2%  y un nuevo retroceso del 1% en el cuarto. La recesión, según todas las previsiones, será profunda y prolongada en el tiempo y la mayoría de las estimaciones sitúan una caída del 3% del PIB para 2009.

 

El número de parados ha alcanzado, en enero de 2009, los 3.327.801 (un 14% de la población activa), un 47% más que en enero de 2008 y el desempleo afecta ya al 29,5% de los menores de 25 años.  Las previsiones para 2009 según algunos analistas son las de alcanzar el 20% en porcentaje de parados.

 

En cuanto a al industria, la producción descendió un 9% en 2008 y la formación bruta de capital en bienes de equipo se desplomó en 2008 un 26,6%. Como ejemplo basta señalar que la producción de automóviles en los primeros treinta días de enero de 2009 cayó un 53% con respecto al mismo período de 2008.

 

En cuanto al consumo las cifras son también de vértigo, sólo algunos datos: las matriculaciones de automóviles registraron la caída más intensa de su historia, un 45% y las hipotecas sobre la vivienda se redujeron un 32,4% en 2008 con respecto a 2007.

Ofensiva contra los trabajadores

Como siempre los capitalistas están intentando cargar el peso de la crisis sobre las espaldas de los trabajadores, en forma de reducciones de plantilla y despidos masivos utilizando varios mecanismos. El primero y más importante, aprovechando la alta tasa de temporalidad entre los trabajadores españoles ( 30% de ellos tiene un contrato temporal), es manejar el amplio margen que tienen  para reducir plantillas con la no renovación de estos contratos, con lo que entre otras cosas se ahorran una buena cantidad de dinero en posibles indemnizaciones.

 

Por otro lado, sobre todo las grandes empresas, están recurriendo a los expedientes de regulación de empleo (EREs), que suponen una paralización total o parcial de su actividad productiva durante un período determinado de tiempo y que en muchos casos incluyen también reducciones definitivas de plantilla. De hecho hasta noviembre de 2008 el número de EREs había aumentado en un 163% en relación al mismo período de 2007. También estamos asistiendo a una cascada de despidos selectivos, con el objetivo de atemorizar al resto de los trabajadores, para así poder imponer reducciones salariales y aumentos de los ritmos de trabajo a los que se quedan.

Hacia la huelga general

En este contexto y a pesar de que los actuales dirigentes de los principales sindicatos españoles Comisiones Obreras (CCOO) y la Unión General de Trabajadores (UGT), siguen anclados en su estrategia de mantener la paz social a toda costa, intentando por todos los medios llegar continuamente a acuerdos con la patronal y el Gobierno y del impacto psicológico que ha producido entra la clase obrera el rápido y brusco deterioro de la economía, el ambiente social está alcanzando una temperatura crítica, que amenaza con una entrada en escena brusca de la clase obrera española en su conjunto.

 

La insatisfacción social acumulada en los cimientos de la sociedad no encuentra, por el momento, un cauce masivo de expresión, taponada por la falta de respuesta de las organizaciones obreras, políticas y sindicales. Pero el descontento y la furia es real y esta sale a la superficie en cuanto encuentra un vehículo con la suficiente entidad. Este ambiente de fondo es lo que reflejó la manifestación del pasado mes de enero en Madrid contra la agresión israelí en Gaza, en la que participaron más de doscientas mil personas.

 

Los trabajadores son conscientes de que la lucha aislada empresa a empresa, en un contexto de profunda crisis en todos los sectores, es un mecanismo que limita mucho la capacidad de respuesta frente a esta ofensiva patronal. La idea de la necesidad de una respuesta global está cobrando fuerza en la conciencia de millones de trabajadores a lo largo y ancho del país. La necesidad de una huelga general en defensa del empleo, de las condiciones de trabajo y por exigir al Gobierno del PSOE una política que defienda los intereses de los más desfavorecidos, es una reivindicación que cada vez cobra más fuerza entre los trabajadores.

 

Como muestra del descontento profundo entre los trabajadores españoles, se están desarrollando multitud de luchas locales que están suponiendo una presión muy fuerte para los dirigentes de CCOO y UGT. Los trabajadores de la sanidad y educación públicas están en pie de guerra en muchas regiones españolas. En Catalunya y Madrid, donde para el próximo 16 y 25 de marzo respectivamente, los sindicatos han convocado una huelga general en la educación no universitaria; también en Valencia,, Galicia, etc, las movilizaciones de estos sectores son constantes. Por su parte, los funcionarios de justicia están movilizándose contra el Gobierno de la derecha en la región de Madrid.

 

En Cataluña, región que está siendo especialmente castigada por los EREs y los despidos, estamos asistiendo a luchas importantes en las que los sindicatos se han empleado a fondo para poder encauzarlas. Los trabajadores de empresas como Nissan, Seat y otras del cinturón industrial de Barcelona, han protagonizado duras y masivas movilizaciones.

 

También en Galicia los trabajadores del metal y de los astilleros han saltado a la lucha contra los despidos y la reconversión industrial encubierta.

 

Estas movilizaciones, son un anticipo de lo que se está gestando. La patronal por su parte está exigiendo al gobierno una nueva reforma laboral y reducir las indemnizaciones por despido. Esta presión de los capitalistas, y la amarga situación que viven millones de trabajadores se puede transformar en una respuesta unitaria y generalizada. La presión sobre las direcciones sindicales a favor de una huelga general se multiplicará en los próximos meses.

 

Fonte: Marxist

publicado por Rojo às 00:19
Segunda-feira, 16 DE Março DE 2009

Notícias curtas do Imperialismo

Gran Bretaña se enfrenta a una grave depresión, asegura Banco de Inglaterra

Fonte: Aporrea

 

EEUU torturó a sospechosos de terrorismo, sostiene Cruz Roja

Fonte: Aporrea

 

Pakistán: Insurgentes destruyen en Peshawar un convoy de suministros para tropas de la OTAN

Fonte: Aporrea

 

Semana trágica para tropas de EEUU y la OTAN en Afganistán

Fonte: Aporrea

 

Ex cónsul de Francia en Colombia: "Los guardianes de Ingrid Betancourt fueron comprados"

Fonte: Aporrea

 

Policía letona detiene a antifascistas que impedían la marcha de ex legionarios de la SS

Fonte: Aporrea

 

"El Gobernator" Notifica gobierno de California despido a más de 26 mil maestros

Fonte: Aporrea

 

AIG pagará 450 mil millones de dólares en primas

Fonte: Aporrea

publicado por Rojo às 19:35
Quinta-feira, 12 DE Março DE 2009

O Governo bolivariano deve expropriar os capitalistas essa é a única solução!

"Los empresarios tienen que dejar de ver el mercado de los alimentos como un negocio".

Felix Osório minsitro da Alimentação da Venezuela

http://www.aporrea.org/actualidad/n130455.html

 

...los precios de todos los productos se han concertado en reuniones de trabajo en las que participan productores, la agroindustria y distribuidores; "nuestras reuniones son con los privados; ellos tienen gente muy seria, pero hay otros que no"....

 

"Osorio señaló que no es la intención del Gobierno expropiar a nadie..."

 

Comentário: Não senhor Osório! Não se pode agradar aos capitalistas e ao povo venezuelano ao mesmo tempo! É claro que os capitalistas vêm a indústria alimentar como um negócio, isso é precisamente porque eles são CAPITALISTAS! A única solução é a nacionalização da indústria alimentar!

publicado por Rojo às 15:43
Quarta-feira, 11 DE Março DE 2009

Alienação

A palavra alienação tem várias definições: cessão de bens, transferência de domínio de algo, perturbação mental, na qual se registra uma anulação da personalidade individual, arrombamento de espírito, loucura. A partir desses significados traçam algumas diretrizes para melhor analisar o que é a alienação, e assim buscar alguns motivos por quais as pessoas se alienam. Ainda assim, os processos alienantes da vida humana foram tratados de maneira atemporal, defraudada, abstraído de processos sócio-econômicos concreto.

A alienação trata-se do mistério de ser ou não ser, pois uma pessoa alienada carece de si mesmo, se tornando sua própria negação.

Alienação se refere á diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar em agir por si próprio.

A sobrevivência do homem implica uma transformação da natureza e do outro à sua imagem e semelhança, o que impõe uma transformação de si mesmo à imagem e semelhança do mundo e do outro. Viver para o homem é objetivar-se, ser fora de si.

Índice

[esconder]

História

O conceito de alienação é histórico, tendo uma aplicação analítica numa ligação recíproca entre sujeito, objeto e condições concretas específicas. Logo, a história afirma que o homem evoluiu de acordo com seu trabalho. Portanto, a diferença do homem está na sua criatividade de procurar soluções para seus problemas, então com a prática do trabalho desenvolve seu raciocínio e sempre aprende uma “nova lição”.


Karl Marx, filósofo alemão, se preocupava muito com a questão da alienação do homem, principalmente em duas de suas obras, “Os “Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844” e “Elementos para a Crítica da Economia Política” (1857-58)”. Procuravam demonstrar a injustiça social que havia no capitalismo, afirmando que se tratava de um regime econômico de exploração, sendo a mais-valia uma grande arma do sistema. Assim, a alienação se manifesta a partir do momento que o objeto fabricado se torna alheio ao sujeito criador, ou seja, ao criar algo fora de si, o funcionário se nega no objeto criado. As indústrias utilizam de força de trabalho, sendo que os funcionários não necessitam ter o conhecimento do funcionamento da indústria inteira, a produção é totalmente coletivizada, necessitando de vários funcionários na obtenção de um produto, mas nenhum deles dominando todo o processo - individualização.

Por isso, a alienação no trabalho é gerada na sociedade devido à mercadoria, que são os produtos confeccionados pelos trabalhadores explorados, e o lucro, que vem a ser a usurpação do trabalhador para que mais mercadorias sejam produzidas e vendidas acima do preço investido no trabalhador, assim rompendo o homem de si mesmo. "A atividade produtiva é, portanto, a fonte da consciência, e a ‘consciência alienada’ é o reflexo da atividade alienada ou da alienação da atividade, isto é, da auto-alienação do trabalho." Mészaros (1981, p.76).

No entanto, a produção depende do consumo e vice-versa. Sendo que o consumo produz a produção, e sem o consumo o trabalhador não produz. A produção consome a força de trabalho, também sustentando o consumo, pois cada mercadoria consumida vira uma mercadoria a ser produzida. Por conseguinte, ao se consumir de um produto que não é por si produzido se fecha o ciclo de alienação. Pois, quando um produto é comprado estará alimentando pessoas por um lado, e por outro colaborando com sua alienação e suas respectivas explorações. Onde quer que o capital imponha relações entre mercadorias, a alienação se manifesta; é a relação social engendrada pelo capital, seu jeito de ser humano.

Sua existência determinada pela economia (razão) exige uma intervenção política (paixão) que destrua sua gênese (a posse individual dos meios de produção), que promova uma revolução na economia.

Há também a questão de alimentar a alienação, sendo outro prejudicial perante o consumo, que se trata das propagandas de produtos, que desumaniza os homens, tendo o objetivo de relacionar o produto com o consumidor, apropriando-se dos homens, e atingindo seu propósito a partir do momento que o produto é consumido, e a sensação de humanização entregue após a utilização.

Em síntese, para melhor compreender o problema da alienação é importante observar sua dupla contradição. Por um lado, há a ruptura do indivíduo com o seu próprio destino e há uma síntese de ruptura anterior, que apresenta novas possibilidades de romper à mesma alienação. O outro lado se apresenta como uma contradição externa, sendo o capital tentando tirar suas características como humano, que leva o homem a lutar pela reapropriação de seus gestos.

Após Marx confrontar a economia política, lançando pela primeira vez o termo “alienação no trabalho” e suas conseqüências no cotidiano das pessoas, Marx expõe pela primeira vez a alienação da sociedade burguesa – fetichismo, que é o fato da pessoa idolatrar certos objetos (automóveis, jóias, etc). O importante não é mais o sentimento, a consciência, pensamentos, mas sim o que a pessoa tem. Sendo o dinheiro o maior fetiche desta cultura, que passa a ilusão às pessoas de possuir tudo o que desejam a respeito de bens materiais.

É muito importante também destacar que alienação se estende por todos os lados, mas não se trata de produto da consciência coletiva. A alienação somente constrói uma consciência fragmentada, que vem a ser algumas visões que as pessoas têm de um determinado assunto, algumas alienadas sem saber e outras que não esboçam nenhum posicionamento.

Comunicação

Meio de comunicação

Seria comunicação uma alienação, uma vez que a alienação só existe por causa da comunicação? A alienação é passada de um comunicador que possui uma informação nova (verdadeira ou não) e é recebida por um receptor que até então desconhecia o assunto, sendo alienado por esse comunicador.

A partir disso nota-se que tudo pode ser considerado mensagens alienadas, pois nas escolas são passadas mensagens novas a toda hora e que se é “obrigado” a acreditar e levar como verdade, não somente nas escolas, como também dentro das casas, igrejas, nos palanques eleitorais, nas ruas, meios de comunicação de massa, etc, funcionando sempre da mesma forma. A alienação normalmente vista nos meios de comunicação de massa por vários autores, onde esses meios estão sempre mandando novas mensagens (subliminares ou não), fazendo com que acreditem na maioria das vezes somente nas informações transmitidas por eles.

Alienação: Perda de algum bem material, físico, mental, emocional, cultural, social, político e/ou econômico. Onde você não apenas cede mas o recepciona novamente como algo indiferente, o criador se torna criatura as coisas são humanizadas e os humanos são coisificados.

Religião

A religião tem grande poder de alienação, devido a algumas “verdades” que a ciência ainda não pode dar, contrapondo o raciocínio cientifico. Já nos meios de comunicação de massa em relação à alienação é evidente a manipulação dos indivíduos, causada pela indústria cultural.

A alienação não trata-se de um conceito setorial de ciência social, como a exploração; é uma categoria global de antropologia histórica, menos esclarecida do que interpretativa mas, por isso mesmo, extensamente crítica, filosófica e essencial para compreender a trajetória da humanidade.

Segundo Karl Marx, pensador alemão, a Religião é o ópio do povo por causar grande alienação na sociedade.

Bibliografia

  • COSTA, Maria Cristina Castilho. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. 3ª ed.

Codo, Wanderley. O Que É Alienação? 2 ed


Categorias: Sociologia/Comunicação

 

Fonte: Wikipédia

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publicado por Rojo às 20:39

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