A Ditadura Militar brasileira, 45 anos depois do golpe de 1964 (parte 1)

Nota: um poema que o companheiro Vanderley Caixe fez nos 43 anos da Ditadura Militar.
 
43 ANOS DA DITADURA MILITAR
Vanderley Caixe


CARTA O BERRO. ..........repassem.

 

43 ANOS DA DITADURA MILITAR
Vanderley Caixe

Foi uma longa noite!
Me recordo dela destruindo sonhos,
gentes "desaparecendo",
nos rios, nos porões do DOPS,
depois nos DOI-CODIs de todo o Brasil.

Eu era um menino-desadolescente,
era estudante consciente,
mas tudo acabou de repente,
naquelas fardas repletas de
medalhas e pingentes.

Os novos dirigentes
não precisavam de gente.
Precisavam da pusilanimidade,
dos lambe-botas, da unanimidade,
do ajoelhar daquele dia,
de toda covardia.

Deram o golpe de Estado e
compuseram o que quiseram.
Criaram leis, decretos, institucionais,
atos severos e não banais,
fizeram do Brasil céu de anil,
exemplos da p.q.pariu.

Prenderam e arrebentaram,
massacraram e torturaram.
Do chão a semente plantaram sem dó,
o medo, o degredo,
roubaram até a aliança da minha avó.
(era ouro para o bem do Brasil - do bolso deles.)

O lixo, o restolho,
os rebotalhos das delegacias,
viraram da noite para o dia,
AUTORIDADE!

Estava plantada no planalto
a DITADURA MILITAR - Brasil-EEUU
(leia-se Estados unidos).
Nós aqui: fodidos.

Veio MEC-USAID,
veio Globo (Time-Life),
veio Veja,
vieram ministros-generais,
todos diretores de multinacionais.

Criaram uma nova profissão:
general ladrão.
Andreazza para a ponte Rio-Niteroi,
Costa Cavalcanti, para Itaipu,
Roubo que até hoje dói.
Não é preciso procurar de lanterna,
basta ver a dívida externa.

Era preciso fazer um novo país servil,
mudanças para desmontar o Brasil,
cassar políticos nacionalistas,
prender lideranças estudantis,
operários e sindicalistas.

Um grande plano foi montado,
para a justiça foi reservado,
atividades sem garantias,
para todos os juizes togados:
libertar presos políticos, juízes eram castigados.
Habeas-corpus suprimido e,
os desmandos policiais generalizados.
Inocentes, ou culpados, até prova em contrário,
respondiam no cartorário.

Nem os livros se podia ler,
até conversar era temerário.
Havia sempre um dedo-duro
cumprindo um papel de otário.
Nem os jornais iam dizer
a verdade e o acontecer.
Nas matérias censuradas, podem crer,
iam receitas de bolos e textos literários.
Ó Lusíadas de Camões,
nunca foi tão lidas pelo parvo.

Quem podia, se sumia,
cientistas, cultores do saber,
gente de bem com a Pátria.
Tudo se ia. Uns pra Europa se podia,
Quem não podia, aqui mesmo era enquadrado.(SE FODIA)

Milico virou poder,
poder degenerado.
Era de se crer,
um poder desmascarado.

Aos jovens não se perdoou a altivez,
as marchas e as passeatas.
Cães, botas, cavalos e cacetadas,
massacrando,ferindo, e, esperando, talvez
uma moçada silenciada.

Ledo engano.
Daquela luta ou se fez,
da força, da luta armada.
Embora com estilingues, outras vez,
lutando pela Pátria amada.

Então, esse Estado usurpado,
aos estrangeiros-imperialistas servindo,
fez da força a carnificina,.
Fez do Estado um pecado:
matou homem, criança e menina,
na tortura, no choque e no machado.
Muitos corpos até hoje, nunca foram encontrados.

Os assassinos de Estado,
serviçais da elite e de nações devoradoras,
aos poucos foram sendo solapados.
A nação se cansou, abriu os olhos democratas.
Uma nova sociedade precisava.
Precisava de um novo Estado.
Uma democracia nova, sem milicos e sem golpistas.
Precisava de um espaço coerente,
uma nova fonte de vista.

A democracia se fez,
com eleições e Anistia.
A ditadura se foi mas,
até hoje seus males persistia.
PERSISTE!

43 ANOS DA DESGRAÇA DESTE PAÍS.
43 ANOS DA DITADURA MILITAR-EEUU.

DITADURA NUNCA MAIS!

 

Nota: Segue-se uma sequência de artigos do companheiro Vanderley Caixe sobre o golpe militar de 1964 e a Ditadura Militar.

 

(I)
 

Estamos há 13 dias dos 45 anos do golpe militar (civil-militar-imperialista) que infelicitou o nosso País por várias gerações.

Muitos dos que estão lendo esse e-mail, hoje, talvez nem tivessem nascidos na época, muitos outros ainda estavam na infância e pré-adolescência.

Os conhecimentos sobre os fatos e as nefastas conseqüências, apesar das evidências no tempo, muitas vezes a literatura não revele todos os fatos e os aspectos mais importantes da nossa história , marcada por esse fato trágico ao destino de toda a Nação Brasileira.

Um fato importante que se acresce é que a Ditadura nos seus estertores tentou burlar toda legislação internacional anistiando torturadores por crime imprescritível.(crime de lesa-humanidade);

Outro, escondendo documentos fundamentais para esclarecimento dos fatos ocorridos: prisões, torturas, assassinatos, localização dos corpos dos revolucionários, cemitérios clandestinos,etc.

Além de um processo seguido de alienação política e cultural que marcaram mais de quatro gerações, através da censura, da queima de livros e filmes, da proibição de peças teatrais. Da manipulação do ensino, suprimindo matérias importantes para o conhecimento da história, da filosofia, da sociologia, etc.

Ainda, o exílio forçado de in tel ectuais, obrigados a residir no exterior, deixando de dar a sua contribuição a cultura do nosso País.

Doutro lado, impedindo as reformas de base necessárias ao avanço da economia, principalmente no campo social, como as reformas : agrária, bancaria, urbana, da habitação, da lei da remessa de lucros, etc.

Transformou o nosso País no paraíso das multinacionais, dos banqueiros, dos latifundiários, enfim das elites econômicas.

Portanto, em vários momentos da Carta O Berro, estaremos repondo conhecimentos históricos relativamente ao fato principal: o Golpe Militar-Civil e Imperialista  e seus desdobramentos.

Haveremos de mostrar , além,  vários vídeos mostrando como os norte-americanos ( tel efonema do presidente dos EEUU, Lindon Johnson, falando com adidos militares articulando o golpe com vários governadores de Estado brasileiros e outras autoridades civis e militares.

Enviaremos, também,alguns referenciais retrospectivos do que foi a Ditadura nesses anos e aspectos da luta de resistência dos brasileiros revolucionários.

 

Clica aqui:

http://www.youtube.com/swf/l.swf?swf=http%3A//s.ytimg.com/yt/swf/cps-vfl86375.swf&video_id=Q65Pz-sFci8&rel=1&eurl=http%3A//br.mc353.mail.yahoo.com/mc/welcome%3F.rand%3D2du0ssfc69a05&iurl=http%3A//i2.ytimg.com/vi/Q65Pz-sFci8/hqdefault.jpg&sk=AjzPRWh_beb3ha40_XDeP3L8m7F3N3wTC&fs=1%22%3E%3C/param%3E%3Cparam&hl=pt-br&cr=US&avg_rating=4.76470588235&length_seconds=370&allow_ratings=1&title=AMERICANOS%20TRAMAM%20APOIO%20AO%20GOLPE%20DE%2064

 

(II)

Ditadura militar

 

Quadro apresenta principais fatos entre 1964 e 1985

1964

Em 31 de março um golpe político-militar depõe João Goulart da Presidência da República. O Ato Instiucional nº 1 suspende os direitos políticos de centenas de pessoas. O general Castelo Branco toma posse como presidente.

1965

Extinguem-se os partidos políticos existentes e institui-se o bipartidarismo, com a Aliança Renovadora Nacional (Arena), de apoio ao governo, e o Movimento Democrático Brasileiro, de oposição.

1966

Suspensas as eleições diretas para cargos executivos. Vários deputados federais são cassados. O Congresso, ao protestar, é posto em recesso por um mês.

1967

O marechal Costa e Silva toma posse na Presidência da República. Líderes da oposição organizam uma frente ampla contra o governo militar.

1968

Oposição é reprimida com violência. O Ato Institucional nº 5 marca o endurecimento do regime, agora abertamente ditatorial.

 1969

Costa e Silva é afastado por motivo de saúde. Uma junta dos ministros militares assume provisoriamente o governo. A alta oficialidade das Forças Armadas escolhe o general Garrastazu Médici para presidente.

 1970

A oposição ao regime se torna mais intensa, com guerrilhas na cidade e no campo. Os militares reagem com violência. Nos "porões" da ditadura, passam a ocorrer mortes, desparecimentos e torturas. 

 1971-1973

 A repressão vence a guerrilha. O país experimenta um momento de desenvolvimento econômico que ficou conhecido como "o milagre brasileiro". A economia cresceu, mas em detrimento da preservação ambiental e com o aumento da dependência do petróleo importado e do capital externo.

 1974

O general Ernesto Geisel assume a presidência, enquanto o MDB conquista uma vitória expressiva nas eleições legislativas. 

 1975-1976

 Geisel representa a ala moderada dos militares e tenta promover uma abertura, enfrentando seus próprios pares. O crescimento econômico se mantém mas já há sinais de crise, proveniente sobretudo do aumento do preço petróleo e da dívida externa.

 1977

A sociedade civil passa a reivindicar efetivamente a recuperação dos direitos democráticos. 

 1978

Fim do AI- 5. A abertura política progride lentamente. 

 1979

O general João Batista Figueiredo assume a presidência. Aprovada a lei da anistia. Centenas de exilados retornam ao país. O pluripartidarismo é restabelecido. 

 1980

Agrava-se a crise econômica. Aumentam as greves e as manifestações de protesto. O PDS substitui a Arena e o PMDB o MDB. Fundam-se o PDT e o PTB.

 1981

 Continuam os conflitos internos entre a ala radical e a ala moderada das forças armadas. Figueiredo tem um infarto e o poder fica nas mãos de um civil, Aureliano Chaves, durante três meses.

 1982-1983

Eleições diretas para governadores e prefeitos, com vitória da oposição em Estados como São Paulo , Minas Gerais e Rio de Janeiro. O PT obtem seu registro na Justiça Eleitoral. Sem condições de pagar aos credores externos, o Brasil vai ao FMI.

 1984

Uma campanha por eleições diretas para presidente da República agita o país. Emenda à Constituição é votada com esse objetivo, mas não consegue ser aprovada no Congresso. O fim do regime militar é iminente.  

 1985

Indiretamente, o civil e oposionista Tancredo Neves é eleito presidente da República. No entanto, com sua morte anterior à posse, assume seu vice, José Sarney.  

                                                                                  

Leia mais: (clique nos itens ao lado)

· Ditadura militar (1964-1985)

· Governo Castello Branco (1964-1967)

· Governo Costa e Silva (1967-1969)

· Governo Médici (1969-1974)

· Governo Geisel (1974-1979)

· Governo Figueiredo (1979-1985) 

 

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publicado por Rojo às 02:00