Crise no reformismo=crise na social-democracia=crise no eurocomunismo

Nos últimos tempos, uma parte da esquerda tem estado visivelmente numa crise aguda. E essa parte da esquerda não se refre - porque desde logo não são de esquerda - aos PSs europeus, o reformismo de direita/neoliberal da falsa social-democracia história. Partidos como o PS português, o francês, o PSOE, o PASOK, o Partido Trabalhista e a socialdemocracia alemã do SPD apenas navegam pela habitual alternância do bipartidismo burguês. Essa é a social-democracia história da primeira vaga (que já nada tem de social-democrata e tudo tem de neoliberal), da II internacional (a xuxialista), parte ingrante e indissociável da arquitetura política do sistema capitalista. Trabalhistas e conservadores, social-democratas históricos e democratas cristãos, xuxialistas e PPDs partilham o mesmo destino e afundam juntos na mesma crise capitalista.

 

Mas o mais saliente não é esse dano que a crise capitalista faz nos seus representantes directos - os chamados centro-direita e centro-esquerda. O que tem sido mais saliente é o fracasso da segunda vaga social-democrata em aproveitar os fracassos dos partidos da II internacional.

- A coligação reformista SYRIZA (Coligação da Esquerda) na Grécia sofreu rupturas, principalmente pela direita com a formação da DIMAR (Esquerda Democrática) mas também é pressionada pela frente de extrema esquerda ANTARSYA (Cooperação da Esquerda Anticapitalista).

- Na Esquerda Unida (IU) do Estado Espanhol as divisões profundas têm provocado grandes choques entre o sector maioritário de Cayo Lara e o minoritário de Llammazares, ou seja, entre o reformismo light e o ultra-reformismo. Tudo isto é produto de décadas de eurocomunismo. Os choques já provocaram rupturas de facto entre a IU e o PCE em várias regiões. De destacar uma rebelião de um sector de comunistas de esquerda na Extremadura e a fractura da Esquerda Unida Basca.

- Em Portugal o Bloco de Esquerda está com uma profunda crise interna e arrisca fragmentar-se mais do que já se fragmentou.

- Em Itália o eurocomunismo dominante na Refundação Comunista vai de crise em crise. Por outro lado é difícil de saber se o Partido dos Comunistas Italianos (o outro partido eurocomunista) já inverteu a rota reformista e eneveredou pelo marxismo-leninismo.

- Em todos estes partidos e coligações têm havido grandes derrotas eleitorais excepto na Esquerda Unida que se fractura ao mesmo tempo se refunda um pouco mais à esquerda e com isso sobe eleitoralmente.

publicado por Rojo às 16:48